Carreguei a carabina e fui pro mato. As raposas estavam dentro do galinheiro. Meus ovos cozinhavam dentro da calça de couro de zebu. Eu era sozinho, nu. Eu era um cangaceiro. Eu me cansei. Não haveria mais o sinsinhô. Não haveria mais carestia e rabos de calango pra quem sofria escaldado no santo sol desse sertão. Eu sou a precisão e a ira. Eu sou só um homem com raiva e sem saída.
E entre dois eventos, há sempre a linha do tempo.
Minhas pernas são patrimônio da humanidade. Minha cabeça salgada e pendurada no poste por tantos anos é a iluminação. Minha vida clareia a vista. Sou mais azedo que xique-xique. Eu sofri, eu matei, eu fui rude sem ver no outro meu irmão. Eu serei adorado, mesmo sendo de quengas e contra polícia. Eu sou o passado morto, mas nunca enterrado.
quarta-feira, 11 de abril de 2007
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