terça-feira, 18 de setembro de 2007

Ecos de refrão

E essas lembranças, nossos cacos de tempo
são saudades, distâncias? Os silêncios: o som?
A alegria volátil, não se esvai com o vento?
O que se recorda é eterno, é o que fica de bom.

No vaso dos dias, cada vez mais lotados
De pequenos tesouros: esquecidos, mas guardados
Fica nosso compêndio, esqueletos doados
Mais matéria-prima pra montar novos quadros?

Sento e acalmo os meus dentes,
Me sinto bem, mesmo onde não sou chamado
Então afine o que há de bom, alivie a criança

Porque os que a gente escolhe, os novos parentes
São colagens nossas/suas, são o novo trabalho
São refrões, que no fim, são o alimento da esperança.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Carreguei a carabina e fui pro mato. As raposas estavam dentro do galinheiro. Meus ovos cozinhavam dentro da calça de couro de zebu. Eu era sozinho, nu. Eu era um cangaceiro. Eu me cansei. Não haveria mais o sinsinhô. Não haveria mais carestia e rabos de calango pra quem sofria escaldado no santo sol desse sertão. Eu sou a precisão e a ira. Eu sou só um homem com raiva e sem saída.

E entre dois eventos, há sempre a linha do tempo.


Minhas pernas são patrimônio da humanidade. Minha cabeça salgada e pendurada no poste por tantos anos é a iluminação. Minha vida clareia a vista. Sou mais azedo que xique-xique. Eu sofri, eu matei, eu fui rude sem ver no outro meu irmão. Eu serei adorado, mesmo sendo de quengas e contra polícia. Eu sou o passado morto, mas nunca enterrado.