de colchão em colchão
chego à conclusão
meu lar é no chão
(Paulo Leminski)
terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
Hérnia
Esse moleque ainda perde o juízo
tanta tristeza, saudade: esconjuro!
Revida com pedras o seu amor sem futuro
O vidro, antes espelho, agora é só furo
Esse menino não tem força de vontade
Não estuda nem quer se convencer
Que a gente, desde pequeno decide
A forma mais aceitável de morrer.
Esse rapaz tá perdido
Tanta rebeldia disparada sem direção
Querendo acalmar o que bate por dentro
Inventa vários eus que fingem ser. São.
Esse homem confuso não é arguto
Nem outras coisas que queria, pensando em sua imagem futura
Jura com a solenidade do luto
Mudar, mudar, mudar até não se sentir fora da pintura
E quando pensa que se encaixa
E -agora sim!- faz parte do mundo
Ele vê tudo errado e se tranca no fundo, mudo
Jurando não tentar ser mais nada, não querer mais nada,
até perder essa mania de querer ser tudo.
Esse moleque ainda perde o juízo
tanta tristeza, saudade: esconjuro!
Revida com pedras o seu amor sem futuro
O vidro, antes espelho, agora é só furo
Esse menino não tem força de vontade
Não estuda nem quer se convencer
Que a gente, desde pequeno decide
A forma mais aceitável de morrer.
Esse rapaz tá perdido
Tanta rebeldia disparada sem direção
Querendo acalmar o que bate por dentro
Inventa vários eus que fingem ser. São.
Esse homem confuso não é arguto
Nem outras coisas que queria, pensando em sua imagem futura
Jura com a solenidade do luto
Mudar, mudar, mudar até não se sentir fora da pintura
E quando pensa que se encaixa
E -agora sim!- faz parte do mundo
Ele vê tudo errado e se tranca no fundo, mudo
Jurando não tentar ser mais nada, não querer mais nada,
até perder essa mania de querer ser tudo.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006
zona boêmia
Abro os olhos
Quanto podem pesar as sobrancelhas?
Os membros estalam e tomo ar
Tá difícil levantar.
Mistério pra todos
onde fica o Sonhar?
É nome tão pomposo
Mas devo ser escravo lá
Porque o cansaço não tá fácil
Tem engov pra espírito?
Cada noite tanta gente
Vou virando um hospício
Sem recuperação, sem desarme
acordo destruído só pra desligar o alarme
Você precisa ver, ele não dá nem meio toque
Ou essa alma pára ou vai entrar no eletrochoque
Tanto passeio, tanta história
ainda bem que não lembro de tudo
Como quando eu cheguei na boate
Rescendendo a jasmim
Fui cumprimentar um amigo
que vomitou em mim
Ou aquele chão em brasa
Onde coloquei a mão
Ou das meninas do passado
me transformando em corrimão.
Assim eu não aguento
Penso numa solução que cole
Ou eu prego minha alma
ou troco aquele colchão mole.
Abro os olhos
Quanto podem pesar as sobrancelhas?
Os membros estalam e tomo ar
Tá difícil levantar.
Mistério pra todos
onde fica o Sonhar?
É nome tão pomposo
Mas devo ser escravo lá
Porque o cansaço não tá fácil
Tem engov pra espírito?
Cada noite tanta gente
Vou virando um hospício
Sem recuperação, sem desarme
acordo destruído só pra desligar o alarme
Você precisa ver, ele não dá nem meio toque
Ou essa alma pára ou vai entrar no eletrochoque
Tanto passeio, tanta história
ainda bem que não lembro de tudo
Como quando eu cheguei na boate
Rescendendo a jasmim
Fui cumprimentar um amigo
que vomitou em mim
Ou aquele chão em brasa
Onde coloquei a mão
Ou das meninas do passado
me transformando em corrimão.
Assim eu não aguento
Penso numa solução que cole
Ou eu prego minha alma
ou troco aquele colchão mole.
domingo, 5 de fevereiro de 2006
Ainda vou achar aquele diamante. Só não procurei no ventrículo certo. Do topo da torre, olhar pra baixo. Ver onde pisamos. Que material nos trouxe até tão alto? Cimento ungido por deuses que tiro das gavetas. As catorze vozes na minha cabeça já não chegam num consenso. Longe, na próxima colina, alguém diz que eu nunca vou pegá-lo. O vento trouxe as palavras até mim, só pra se divertir. Uma palavra varre tudo o que eu pensava só pra matar o tempo. Destino.
Reinventar. As paredes podem ser sólidas, mas janelas eu posso pular. Aquela colina ainda não pode ser minha. Dez passos atrás, pra dar um pra frente. Reinventar. E nem vai ser a última vez. Exorcizo um bode que não parava de me aconselhar.
Um dia, ainda vou ser rei desse lugar.
Reinventar. As paredes podem ser sólidas, mas janelas eu posso pular. Aquela colina ainda não pode ser minha. Dez passos atrás, pra dar um pra frente. Reinventar. E nem vai ser a última vez. Exorcizo um bode que não parava de me aconselhar.
Um dia, ainda vou ser rei desse lugar.
sábado, 4 de fevereiro de 2006
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