terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Quando eu me levantei
Ela ainda sonhava

7 horas tem carona
9 minutos de atraso
5 gotas de adoçante
incontáveis intervalos

cheiro bom de cama
sufocado por perfume
hora de tomar café
olha lá! um vagalume

intercalando nossas ações
num filme em corte seco
vou prevendo nosso dia-a-dia
diferentes direções
Você suspira numa música
e eu escrevo poesia

2 mensagens no celular
4 lembranças e meio pão
ah, morena que saudade
das bobeiras, dos teus nãos

não queria separar-nos
só outro tipo de alvoroço
muito mais que a mesma chuva
nos molhando, no almoço.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006


Aqui

domingo, 13 de agosto de 2006

ai, essa cidade que não dorme, que não dorme...
saio e visto a brisa do setembro me soprando
que as canções de amor são todas meros versos
e o amor é sonho escasso, rebeldia dos que dormem...

brisa e vento. calmaria.
me surpreendo com os beijos, em setembro, outro dia...
desespero, solidão, nada que seja novo
meus minutos sãos são ilusão, são só espelho
as falas que eu digo: desespero, peso e brasa
tentativa e erro, pra se sentir em casa

ai, essa cidade que não dorme, que não dorme, que não dorme
luz do refletor, saia rodada e pressão baixa
olhar para a cidade na penumbra da amurada
e saber que a luta é em vão, nada se encaixa...

(e aí, serviu?)

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Com olhar estacionado
três metros acima
começo o dia como você
sob toneladas de tijolos
concreto e pratos sujos

e andar e trancar a porta
fechar o circuito do isolamento
luto e resisto a uma rima com cimento

é o dia cinza do poeta que canta
um horizonte que só imagina

sento e me esvazio: um cubo mágico prum animal no cio
tijolos concretos e papéis sujos
jaula elegante e caixa de areia

Pêlos raspados, sob a imensa platéia
de aranhas nos cantos, em teias velhas
acho que o bicho já pode passear
é importante o exercício, 'bora trabalhar

)é quarta-feira, o imperialismo tá aí. É preciso comprar sapatos. Melhor não entrar em contradição. ... Adeus judias lindas que não me deram conversa. O tempo está mesmo mudando. Duas dessas, por favor. ... meu relógio me diz que é o meio da semana. ai minha folga ... socorro(

teto: chapéu de concreto
eu: o que meu olhar não perdeu

terça-feira, 13 de junho de 2006

Como se eu fosse Paulo Leminski

Nacarando, fossilizando
o que antes foi verdade
é caverna, o que hoje eu sinto
tironossaurus saudadis

é o esqueleto da ponte
por onde nosso amor (ñ) veio
É a ponta do meu nariz
roçando o bico do teu seio

é madrugando as palavras
que sossego a alma insone
outros dias, comovido
microfone

terça-feira, 23 de maio de 2006

.

Todos os meus sentidos estão de luto
hoje eu decreto teu fim
arranco você do meu peito
torcendo pra que alguém veja

Se eu ainda regava meu amor
Era só de teimosia
Mas agora eu revolvo o solo
e não sobra raiz que seja

de você, o que se espera
é roupa preta, volátil luto
seguir a vida, o que se espera
eu nada disso, eu morro junto

e de casaca, penteado
arrumado e com distinta correção
te viro as minhas costas
e recomeço, de novo, do chão.

todos os meus sentidos já velaram
tantos amores, tanto passado
pra trás já ficaram epitáfios
com o nome "homero" gravado
espero que esse seja humilde
e se encaminhe sem gritos,
pra poder ser só mais um enterrado

todos os meus sentidos me traíram
e foram se deitar contigo
e vêm me torturar pela manhã
contando em sonho o que eu tenho perdido
como se eu precisasse
saber de cheiro, ouvir história
eu só preciso me lembrar
pra querer, por favor!, perder a memória.

hoje os meus sentidos...
voltam a ser meus!
ah... sai daqui. Vai ser feliz.
adeus.

sábado, 15 de abril de 2006

Funciona assim: depois de ver uma notícia num site, de uma menin ue perdeu útero por engano ( VÍDEO GRÁTIS ) no espírito santo, você lembra daquele encontro que remexeu com tudo por dentro. Durma bem.

Nem o mais velho dos amores tem validade.

terça-feira, 4 de abril de 2006

Carregava a câmera pra cima e pra baixo. O presente que mais gostara na vida. Via o mundo sob novos ângulos, sua visão tinha foco manual. Perdeu a mão direita. A que disparava a foto. Teria que se acostumar a ver tudo em sequência de novo. Adotou um óculos: ele podia superar a deficiência, mas ão um mundo sem molduras.

terça-feira, 28 de março de 2006

As terras d´além mar são distantes. E cada dia mais, o continente diz... "saída estratégica pela direita."

quinta-feira, 9 de março de 2006

Acordava e mudava de humor, em quinze minutos. Acordava de ressaca, mesmo não bebendo. Humor do cão, por quinze minutos.

E foi assim que perdeu a esposa. Foi assim que magooua filha que chegava de manhã duma noite de vídeos e pipocas com as amigas. Foi assim que perdeu o emprego.
Por que não sabia acordar direito.

Hoje, carrega baterias de uma bomba no petrolífero em Macaé. Sozinho. O chamam "atum", pelas costas.

Ele nem merece um texto sobre sua vida.

domingo, 5 de março de 2006

Réverso

Ah, se ela ouvisse o verso
Que eu escrevo só de vício
Quem sabe me incluía no seu universo
Ou caía no meu colo, me dizendo:"Eu sou difícil"

Porque quando eu sento e calo
O silêncio é só de fora.
A cabeça e o coração tão quebrando a fantasia
Vão brigando, discutindo, vão fazendo poesia

O poeta, fingi(dor)
Constrói sua obra a duas mãos
Grita "não!" para as paredes
E elas vão fazendo "..ãos!"
Repetindo, retornando
E ele lá, só anotando
Porque o sonho só sonhado
é só adubo pra cabeça
escreve, rascunha, fotografa!
antes que desapareça.

Ah, se ela ouvisse um verso
Um só, se ela ouvisse
Ou ver, só isso eu peço
Visse o vício, contribuísse
Quem sabe deixava de lado
o sol falando sozinho
Quem sabe sorrisse um bocado
Quem sabe eu ganhava um carinho?

Vice-versa, visse um verso.
Vício-verso, versa em viço
Vai-se misturando tudo,
as palavras se fundindo
Pra falar de um vício velho
versar a dor do não sorriso.

Versos pra minha namorada
Versos pra falar de amor
Desse amor que nunca seca
e não tem regulador
Vicio o verso
Quem sabe ela não entra no esquema
E aparece de uma vez
Pra eu ter a quem oferecer o poema.

(Verso de amor sem haver um ser amado
É como gato espreguiçando sem ser observado
Quem sabe alguém lê esses versos e me faz esquecer da poesia
Porque até agora, a única alegria é uma promessa que se avizinha)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

de colchão em colchão
chego à conclusão
meu lar é no chão
(Paulo Leminski)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Hérnia

Esse moleque ainda perde o juízo
tanta tristeza, saudade: esconjuro!
Revida com pedras o seu amor sem futuro
O vidro, antes espelho, agora é só furo

Esse menino não tem força de vontade
Não estuda nem quer se convencer
Que a gente, desde pequeno decide
A forma mais aceitável de morrer.

Esse rapaz tá perdido
Tanta rebeldia disparada sem direção
Querendo acalmar o que bate por dentro
Inventa vários eus que fingem ser. São.

Esse homem confuso não é arguto
Nem outras coisas que queria, pensando em sua imagem futura
Jura com a solenidade do luto
Mudar, mudar, mudar até não se sentir fora da pintura

E quando pensa que se encaixa
E -agora sim!- faz parte do mundo
Ele vê tudo errado e se tranca no fundo, mudo
Jurando não tentar ser mais nada, não querer mais nada,
até perder essa mania de querer ser tudo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

zona boêmia

Abro os olhos
Quanto podem pesar as sobrancelhas?
Os membros estalam e tomo ar
Tá difícil levantar.

Mistério pra todos
onde fica o Sonhar?
É nome tão pomposo
Mas devo ser escravo lá
Porque o cansaço não tá fácil
Tem engov pra espírito?
Cada noite tanta gente
Vou virando um hospício

Sem recuperação, sem desarme
acordo destruído só pra desligar o alarme
Você precisa ver, ele não dá nem meio toque
Ou essa alma pára ou vai entrar no eletrochoque

Tanto passeio, tanta história
ainda bem que não lembro de tudo

Como quando eu cheguei na boate
Rescendendo a jasmim
Fui cumprimentar um amigo
que vomitou em mim

Ou aquele chão em brasa
Onde coloquei a mão
Ou das meninas do passado
me transformando em corrimão.

Assim eu não aguento
Penso numa solução que cole
Ou eu prego minha alma
ou troco aquele colchão mole.

domingo, 5 de fevereiro de 2006

Ainda vou achar aquele diamante. Só não procurei no ventrículo certo. Do topo da torre, olhar pra baixo. Ver onde pisamos. Que material nos trouxe até tão alto? Cimento ungido por deuses que tiro das gavetas. As catorze vozes na minha cabeça já não chegam num consenso. Longe, na próxima colina, alguém diz que eu nunca vou pegá-lo. O vento trouxe as palavras até mim, só pra se divertir. Uma palavra varre tudo o que eu pensava só pra matar o tempo. Destino.

Reinventar. As paredes podem ser sólidas, mas janelas eu posso pular. Aquela colina ainda não pode ser minha. Dez passos atrás, pra dar um pra frente. Reinventar. E nem vai ser a última vez. Exorcizo um bode que não parava de me aconselhar.

Um dia, ainda vou ser rei desse lugar.

sábado, 4 de fevereiro de 2006

melhor que eu

Ela dá, eu tiro
Eu somo, ela cresce
Eu fujo, ela espera
Eu espero, ela desce
Eu aqueço, ela despe
Eu aviso, ela esquece.

Canto canção, dança morena
eu vicio, ela supera
eu temo, ela ama
eu refugo, ela salta
ela é toda. eu PROCURO.
as noites chatas tb te dão saudade?)