segunda-feira, 27 de dezembro de 2004




Escrevo essas maltraçadas para refletir, enquanto não me vem me entreter nenhuma coceirinha. Vamos meditar então, na falta de mocotó.

Enquanto a internet ainda não chega aos lares pobres do país, muito embora eu acredite que esta será a principal meta pregada nas próximas eleições, eu me regozijo de saber que o correio é eficiente.
Lá vamos nós ufanar uma das instituições mais incensadas do país, isso mesmo. Não gostou, salte agora. E não espera cartas pedindo para que volte, mandrião.

Tive que usufruir dos serviços dos nossos mensageiros no dia de hoje, fruto da afobação e excitação (opa!) de minha digníssima namorada. Deu-se que a guria resolveu fugir para o Rio de Janeiro, aquela terra de ninguém que deve ser o centro tropical do mundo, a despeito do que dizem do Equador. Dizem q a política na época era forte por parte dos nossos confrades em Quito. Bom, retornando, ela resolveu dar férias a seus pés, ficando sem mim e minhas idéias de caminhadas no meio da noite. Parece que ansiava muito por isso, pois, na hora de viajar, a madame saiu esbaforida, deixando pra trás, por acidente, sua passagem de volta. Me pergunto agora, num lampejo: será que foi intencional?

Ignorando tais conjecturas que poderiam terminar com meu estável e burguês relacionamento, resolvi enviar a passagem para a terra de Jaguar e outros ilustres cachaceiros. Isso no dia 24. Conferindo o Jornal Panorama, descubro que jornais ainda são úteis. O correio vai funcionar até as 19h. Ligo pro correio às 13h, só pra me certificar.
"Estamos fechando, todas as agências, amanhã não funcionaremos." Em resumo as declarações educadas do atendente. Te devo uma, Panorama.

Esperei até segunda, a passagem já não chegaria a tempo se fosse mandada por sedex comuns ou por carta registrada. Tudo bem pagar um pouco mais, afinal, estou contribuindo para o engrandecimento da maior corporação do país. Pois bem, chego e dou de cara com uma fila, com pessoas pegando senhas eletronicamente classificadas. Veio a minha, b202 sedex. Trazendo comigo a perseverança, fiquei feliz ao ver que não havia ninguém com senhas de 1 ou 2 dígitos.

Chegada minha vez, foram dois minutos de conversa amigável com seu Francisco que, seguindo a hospitalidade mineira, cada vez mais rara em Minas, me explicou como funcionava o processo de entrega, os preços, até quais as falhas do mesmo. E ainda recebeu o material, embalou com esmero e o encaminhou para o Rio. Tudo no maior profissionalismo, padrão correios de qualidade. Ele seria uma dessas pessoas que só fez coisas boas enquanto passava por minha vida, se não tivesse dito a fatídica frase: "São 27 reais, por favor". E eu pensando que eles realmente deviam achar q a correspondência dessa nação, com cartas de amor, passagens e muamba devia valer ouro pros destinatários, já que mediam seu peso usando a mesma tabela. Está pago, tem que chegar até amanhã, senão teremos a grana de volta, creio eu.

Se não chegar, o correio terá perdio mais do que essa quantia, terá perdido seu maior fã.
No mais, desde já agradeço, deixando um afetuoso abraço e votos de felicidade
Homero

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