e andava, com o rosto baixo e as tristezas a agulhar suas costas, por entre os carros.
Por não saber o que dizer, ouvia. Por não gostar do que ouvia, sentia a solidão. Jogo do brasil, sexo, fofocas... será que não sabiam falar de outras coisas?
Nesse momento, por uma obra irônica do destino, os alicerces de seu pensamento foram demolidos. O catador de papel lhe sorria. Foi aí que percebeu: a salvação estava na simplicidade de enxergar. O mundo era daqueles pobres trabalhadores, que sofriam e, por milagre, sorriam. Sim. Deus existia, e estava no rosto de cada homem simples. Sorriu de volta, dissevbom dia.
- bom dia!!
-bom dia, disse a face de deus. tudo bem?
-tudo, e com o Senh..
- me arruma um trocado?
Olhou pro chão, as costas doíam com as picadas. Lamuriava algo sobre a simpatia ser a arma dos pobres. Seus ouvidos já pegavam carona em outra conversa sobre carros.
quinta-feira, 22 de julho de 2004
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