O tédio é o estopim de todas as emoções. E aí, neném... Você tem fogo?
terça-feira, 27 de julho de 2004
segunda-feira, 26 de julho de 2004
Numa época onde todos sabem mais a seu respeito com uma mera busca no google, fica difícil saber o que é realmente importante. O que ficava antes era a obra, o mito. Como saber como era o rosto de Eça de Queiroz sem seus livros? Impossível, impossível. Eram outros tempos. hoje, em época de fama fácil e grana rolando aos barris na alta roda, fica evidente que a imortalidade é palpável. Qualquer um com um cabelo grande e uma lipoaspiração é chamado de roqueiro. Qualquer putinha rica grava um filme pornô caseiro e vira modelo internacional.
Me amem.
Me amem.
quinta-feira, 22 de julho de 2004
e andava, com o rosto baixo e as tristezas a agulhar suas costas, por entre os carros.
Por não saber o que dizer, ouvia. Por não gostar do que ouvia, sentia a solidão. Jogo do brasil, sexo, fofocas... será que não sabiam falar de outras coisas?
Nesse momento, por uma obra irônica do destino, os alicerces de seu pensamento foram demolidos. O catador de papel lhe sorria. Foi aí que percebeu: a salvação estava na simplicidade de enxergar. O mundo era daqueles pobres trabalhadores, que sofriam e, por milagre, sorriam. Sim. Deus existia, e estava no rosto de cada homem simples. Sorriu de volta, dissevbom dia.
- bom dia!!
-bom dia, disse a face de deus. tudo bem?
-tudo, e com o Senh..
- me arruma um trocado?
Olhou pro chão, as costas doíam com as picadas. Lamuriava algo sobre a simpatia ser a arma dos pobres. Seus ouvidos já pegavam carona em outra conversa sobre carros.
Por não saber o que dizer, ouvia. Por não gostar do que ouvia, sentia a solidão. Jogo do brasil, sexo, fofocas... será que não sabiam falar de outras coisas?
Nesse momento, por uma obra irônica do destino, os alicerces de seu pensamento foram demolidos. O catador de papel lhe sorria. Foi aí que percebeu: a salvação estava na simplicidade de enxergar. O mundo era daqueles pobres trabalhadores, que sofriam e, por milagre, sorriam. Sim. Deus existia, e estava no rosto de cada homem simples. Sorriu de volta, dissevbom dia.
- bom dia!!
-bom dia, disse a face de deus. tudo bem?
-tudo, e com o Senh..
- me arruma um trocado?
Olhou pro chão, as costas doíam com as picadas. Lamuriava algo sobre a simpatia ser a arma dos pobres. Seus ouvidos já pegavam carona em outra conversa sobre carros.
quinta-feira, 15 de julho de 2004
Eu, Tarzan?
Eu era Tarzan, você era Jane, e pronto. Nào precisávamos saber ou8 dizer mais nada. sabíamos quem éramos e o que éramos, para sempre. Eu, homem macaco, você minha fêmea. Eu, Rei da Jângal, você e os negros, meus adoradores. Eu caçar e matar bicho, você cozinha bicho. E a nossa água era límpida e o nosso ar era puro e à noite nos amávamos. E as estrelas eram fixas no céu, pois assim seria para sempre.
Aí vieram o outros, com aquelas histórias.
Eles eram brancos, e em vez de me adorarem, como você e os negros, me explicaram. Eu era um lorde inglês! e você não tinha saído de um casulo para me servir como eu sempre pensara, era a filha d eum missionário que s eperdera na floresta e me encontrara por acaso. Que história era aquela? Eu não era mais só Tarzan, você não era mais só Jane. De repente, tínhamos sobrenomes, tínhamos parentes, tínhamos biografias. Os brancos nos infectaram com as nossas histórias. Os brancos conspurcaram nossa clareira com o passado. Pois ter uma história para trás significava ter uma história pela frente, significava ter um fim, significava velhice e morte. Pela primeira vez, à noite, você disse "Hoje não, meu bem", e eu disse "Que história é essa?". Foram as nossas primeiras palavras civilizadas. E de repente até as estrelas estavam em movimento no céu, nascendo e morrendo diante de nossos olhos atônitos. Até as estrelas tinham história!
Depois veio o problema com os negros. Não adiantou eu dizer que nada mudara, que se não me deviam obediência por eu ser rei da Jângal, deviam por eu ser um lorde inglês. Me vaiaram. Me chamarm de símbolo da mentalidade colonial, e ainda fizeram pouco da minha tanga. a Cheeta, cuja lealdade eterna se baseava na presunção de que éramos meio parentes, também me repeliu. Se eu era inglês, era um intruso - e que história era aquela de caçar e matar bichos sem qualquer consideração ecológica, como se a Jângal fosse o meu reino, só porque eu era branco? e Jane não me ajudava na minha crise de identidade:
- Eu, quem?
- e eu sei?
E chegamos a isto, Jane, ou como qur que você se chame agora. Eu uma entidade ontológica em trânsito, um ser perplexo de tanga a caminho do fim de todas as histórias, procurando um sentido nas estrelas e só vendo o silêncio piscando, você fazendo administração de empresas em algum lugar, insistindo para eu ter e-mail para, pelo menos, mantermos contato. E a água não é mais limpa, e o ar não é mais puro, e ando sentindo umas pontadas aqui do lado.
Esse texto genial está no livro "O melhor das Comédias da Vida Privada", de Luís Fernando Veríssimo. E meu, agora, porque eu ganhei um de presente.
Um abraço do embusteiro, a fonte do engano e do sofrimento p/ os deuses, o chefe dos lobos, um espírito malicioso e inquieto. (Isso é o que todos somos, apesar de nos acharmos bons sujeitos)
Eu era Tarzan, você era Jane, e pronto. Nào precisávamos saber ou8 dizer mais nada. sabíamos quem éramos e o que éramos, para sempre. Eu, homem macaco, você minha fêmea. Eu, Rei da Jângal, você e os negros, meus adoradores. Eu caçar e matar bicho, você cozinha bicho. E a nossa água era límpida e o nosso ar era puro e à noite nos amávamos. E as estrelas eram fixas no céu, pois assim seria para sempre.
Aí vieram o outros, com aquelas histórias.
Eles eram brancos, e em vez de me adorarem, como você e os negros, me explicaram. Eu era um lorde inglês! e você não tinha saído de um casulo para me servir como eu sempre pensara, era a filha d eum missionário que s eperdera na floresta e me encontrara por acaso. Que história era aquela? Eu não era mais só Tarzan, você não era mais só Jane. De repente, tínhamos sobrenomes, tínhamos parentes, tínhamos biografias. Os brancos nos infectaram com as nossas histórias. Os brancos conspurcaram nossa clareira com o passado. Pois ter uma história para trás significava ter uma história pela frente, significava ter um fim, significava velhice e morte. Pela primeira vez, à noite, você disse "Hoje não, meu bem", e eu disse "Que história é essa?". Foram as nossas primeiras palavras civilizadas. E de repente até as estrelas estavam em movimento no céu, nascendo e morrendo diante de nossos olhos atônitos. Até as estrelas tinham história!
Depois veio o problema com os negros. Não adiantou eu dizer que nada mudara, que se não me deviam obediência por eu ser rei da Jângal, deviam por eu ser um lorde inglês. Me vaiaram. Me chamarm de símbolo da mentalidade colonial, e ainda fizeram pouco da minha tanga. a Cheeta, cuja lealdade eterna se baseava na presunção de que éramos meio parentes, também me repeliu. Se eu era inglês, era um intruso - e que história era aquela de caçar e matar bichos sem qualquer consideração ecológica, como se a Jângal fosse o meu reino, só porque eu era branco? e Jane não me ajudava na minha crise de identidade:
- Eu, quem?
- e eu sei?
E chegamos a isto, Jane, ou como qur que você se chame agora. Eu uma entidade ontológica em trânsito, um ser perplexo de tanga a caminho do fim de todas as histórias, procurando um sentido nas estrelas e só vendo o silêncio piscando, você fazendo administração de empresas em algum lugar, insistindo para eu ter e-mail para, pelo menos, mantermos contato. E a água não é mais limpa, e o ar não é mais puro, e ando sentindo umas pontadas aqui do lado.
Esse texto genial está no livro "O melhor das Comédias da Vida Privada", de Luís Fernando Veríssimo. E meu, agora, porque eu ganhei um de presente.
Um abraço do embusteiro, a fonte do engano e do sofrimento p/ os deuses, o chefe dos lobos, um espírito malicioso e inquieto. (Isso é o que todos somos, apesar de nos acharmos bons sujeitos)
quinta-feira, 8 de julho de 2004
Liquidação
Tá em ponta de estoque
é só escolher, taí no chão
Vai aí, leva 3 cacos e
Recebe um coração!
Garantia eu não ofereço
Por esse preço, não!
Se eu pago caro no mercado negro
Vem baixar o preço do meu coração?
Só leva um, ele é ciumento
Alguns afagos, só isso de ração
E ele vai com você, não importa onde
Seja pro inferno, Chile ou Belo Horizonte
Só tá em caco, não cola fácil
Ninguém tem o que é preciso
Vem sem manual de instruções
Sabe... o deus do amor devia ser Narciso
Essa filosofia vai de graça
Só não joga ela no chão
Ela leva sal a gosto
Mas continua igual a caco de coração
O antigo dono era só um garoto
Não sabe cuidar direito
Teve até menina interessando
Mas ele dá muito trabalho
Não sabe ser criado livre
É só nega chamar
Já sai balançando o átrio
Mas coleira ele não usa
É um bicho arredio
Já nem sei como criar
Se alegre ou se manso
Esse animal traiçoeiro
Tá é fechando pra balanço.
Tá em ponta de estoque
é só escolher, taí no chão
Vai aí, leva 3 cacos e
Recebe um coração!
Garantia eu não ofereço
Por esse preço, não!
Se eu pago caro no mercado negro
Vem baixar o preço do meu coração?
Só leva um, ele é ciumento
Alguns afagos, só isso de ração
E ele vai com você, não importa onde
Seja pro inferno, Chile ou Belo Horizonte
Só tá em caco, não cola fácil
Ninguém tem o que é preciso
Vem sem manual de instruções
Sabe... o deus do amor devia ser Narciso
Essa filosofia vai de graça
Só não joga ela no chão
Ela leva sal a gosto
Mas continua igual a caco de coração
O antigo dono era só um garoto
Não sabe cuidar direito
Teve até menina interessando
Mas ele dá muito trabalho
Não sabe ser criado livre
É só nega chamar
Já sai balançando o átrio
Mas coleira ele não usa
É um bicho arredio
Já nem sei como criar
Se alegre ou se manso
Esse animal traiçoeiro
Tá é fechando pra balanço.
terça-feira, 6 de julho de 2004
Gravada minha primeira participação num videoclipe. Depois de umas cabeçadas e quedas, perpetrei um sequestro relâmpago. Se quiserem conferir, vejam sempre esse grande programa sobre alta cultura que é o panorama revista em breve. O desgraçado do orkut continua sendo uma incógnita, os trabalhos estão cada vez mais chatos e eu acho que vou tomar pau em semiótica. Deve ser o tal inferno astral com a proximidade do meu aniversário. Que que você vai me dar? É dia 13, terça feira que vem.
Tá atualizado.
Bônus track: Regras de sobrevivência no orkut
-Seja fã de todos, isso aumenta seu moral e pode render alguns fãs tb.
-Se vc for feio, admita. Use uma figura no lugar da cara. Um bom exemplo é o uso indiscriminado do Shrek: além de assumir que é feio, vc ainda fica com fama de bem-humorado e cinéfilo pop. Uma foto sua quando criança tb é um bom truque.
-Sabe aquele primo da amiga da sua ex-namorada? Adicione. Números são muito importantes na era da "fama virtual" (com duplo sentido por favor).
-Seja amigo de amigos com mais de 200 amigos (é proposital sim). Sua cara vai aparecer no friends book desse herói das massas, e, consequentemente, no de mais de 200 pessoas. Se estiver usando o Shrek então, garantia de curiosidade.
-É fato. O photoshop já é um pré-requisito indispensável para o micreiro que se preza. Aprenda a aumentar o seu potencial. Isso é marketing pessoal.
-Penetre em comunidades de vagabundos, como a "eu amo a cerveja itaipava" e em sites que gerem algum sentimento nos seus alvos, como: "jornalismo literário? esse cara deve ser um cult" ou algo melhor como, "qual será a desse cara, se ele está no "eu sou um garanhão sensível"".
-Adquira uma internet banda larga e responde sempre com uma piadinha simpática. Logo você terá mais de 200 amigos, Shrek.
-Seja alternativo. Mas não exagere, nada de wicca ou "eu adoro o cinema iraniano". No máximo uma "Uikibiu".
-o humor ganha sempre: participe passivamente de comunidades ridículas como a "Eu tenho encosto". Tenha sempre um amigo famoso, é tudo caô. Recomendo o Zé Pequeno ou a vovó Mafalda.
-Todos os seus amigos são populares. Claro que são, calaboca! Coloque todos os gelinhos, carinhas e corações em todos, deixa de ser babaca e ajuda os outros tb.
Você está pronto para conseguir felicidade e vários novos amigos, quiçá uma peleguinha pro fim de semana. Vai na fé e não esquece de atualizar o seu profile pra "Country: Iraq".
Tá atualizado.
Bônus track: Regras de sobrevivência no orkut
-Seja fã de todos, isso aumenta seu moral e pode render alguns fãs tb.
-Se vc for feio, admita. Use uma figura no lugar da cara. Um bom exemplo é o uso indiscriminado do Shrek: além de assumir que é feio, vc ainda fica com fama de bem-humorado e cinéfilo pop. Uma foto sua quando criança tb é um bom truque.
-Sabe aquele primo da amiga da sua ex-namorada? Adicione. Números são muito importantes na era da "fama virtual" (com duplo sentido por favor).
-Seja amigo de amigos com mais de 200 amigos (é proposital sim). Sua cara vai aparecer no friends book desse herói das massas, e, consequentemente, no de mais de 200 pessoas. Se estiver usando o Shrek então, garantia de curiosidade.
-É fato. O photoshop já é um pré-requisito indispensável para o micreiro que se preza. Aprenda a aumentar o seu potencial. Isso é marketing pessoal.
-Penetre em comunidades de vagabundos, como a "eu amo a cerveja itaipava" e em sites que gerem algum sentimento nos seus alvos, como: "jornalismo literário? esse cara deve ser um cult" ou algo melhor como, "qual será a desse cara, se ele está no "eu sou um garanhão sensível"".
-Adquira uma internet banda larga e responde sempre com uma piadinha simpática. Logo você terá mais de 200 amigos, Shrek.
-Seja alternativo. Mas não exagere, nada de wicca ou "eu adoro o cinema iraniano". No máximo uma "Uikibiu".
-o humor ganha sempre: participe passivamente de comunidades ridículas como a "Eu tenho encosto". Tenha sempre um amigo famoso, é tudo caô. Recomendo o Zé Pequeno ou a vovó Mafalda.
-Todos os seus amigos são populares. Claro que são, calaboca! Coloque todos os gelinhos, carinhas e corações em todos, deixa de ser babaca e ajuda os outros tb.
Você está pronto para conseguir felicidade e vários novos amigos, quiçá uma peleguinha pro fim de semana. Vai na fé e não esquece de atualizar o seu profile pra "Country: Iraq".
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