sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004



Juro que não é nada do que vc tá pensando, Dan! Era uma foto sua no monitor!
Esse é meu cubículo de trabalho não remunerado do mês. Entre e se aprochegue! Por favor, traga biscoitos.
O pierrot acordou com o sol no rosto, num caleidoscópio de serpentinas protegendo-o do frio. Mal sabia seu nome, mal sabia que não tinha mais o dinheiro nos bolsos. A lágrima que carregava tatuada no rosto, marca registrada da fantasia, estava borrada, quase sumia. Teve dificuldades pra se erguer. Agarrou-se no muro chapiscado, que corta sua mão. Ele lambe o sangue que escorre e melhora um pouco de sua ressaca. O gosto metálico agita o estômago. Carnaval.
De enzimas não é muito barulhento, mas até que anima..
Com a consciência de que não podia sair dali porque seu corpo ainda não respondia, a mente entrou em funcionamento, não sem um rangido nas engrenagens. A cabeça latejou. O choque da dor reacendeu a memória com o clarão de um raio. Lembrou-se de tudo o que fez nos quatro dias passados. De olhos arregalados no meio da rua, sorriu. Saiu andando, confiante como nunca. Nem tudo foi certo, podia vir a se arrepender de algumas coisas, mas não seria agora. Oxalá tenha chovido como ele se lembrava.
O sorriso de desprezo que usava agora não parecia ser outra máscara. Era como se cuspisse no rosto do chefe do pelotão de fuzilamento. Limpou a poeira das roupas, a lágrima verdadeira fazia brilhar a maquiagem triste. Podia vir o mundo, não tinha medo. Até esperava por isso.
Cantarolava. "Todo carnaval tem seu fim..."

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004


Essa figurinha maneira eu achei num tal de Pensador Urbano(www.pensadorurbano.blogger.com.br). O blog tem uns troços legais e tals, mas o cara parece ser meio sério demais. Sei lá, não sou nenhum Renato Aragão, também...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004

"Peço licença pra cantar, porque não gostaria de incomodá-los. Posso?"
Era assim que devia fazer o Seu Antônio.

Andando pelas ruas de Juiz de Fora, vc encontra alguns personagens que, por suas particularidades, todos conhecem. A Maria, berradora do calçadão (embora eu nunca tenha visto), ou a mulher que pede um real, senão, metade, e metade, e metade. Não tem? Então morre! Re! Vou chamar a puliça! Sá! E tem o seu Antônio, aquele velhinho que canta no calçadão, seu chapéu de cangaceiro e a voz arranhada pelo uso.

Segundo o pessoal da auto-escola, "aqueles doidos de tampar pedra". E os fdp contam suas histórias sobre a Maria ter escolhido um deles pra encarnar, ou sobre o velhinho que canta no calçadão: o que eles não sabem que tem um nome. Todos eles são doidos, que fazem parte da cidade doida em que a gente vive. Já são instituições, com suas manias loucas e insistência em existir. Eu saio da aula puto, não sei direito porque, e continuo bufando quando passo pelo velhinho, com a sua sanfona, berrando à noite. Uma vontade enorme de fazer uma reverência pra ele, dar um abraço nele, cantar com ele. Ele me vê, e eu aceno com a cabeça, discreto como sempre, e ele canta mais uma pra mim, depois do tinindo que eu recebo como resposta.

Fica em paz, Seu Antônio, João, José, Getúlio. Eu não tenho certeza do seu nome, mas sei que vc é mais que uma história, é mais que uma instituição.
Vc é meu irmão, como todos esses, e por isso eu sinto tanta vergonha e raiva. Eu odeio essa distância que todo mundo impõe, tendo pena demais de si mesmo pra olhar pro lado e ver que tem mais gente, querendo atenção. Eu não sou médico, eu sou homem. Eu sou um filho, me ensina a ver bem o mundo, em vez de brigar. Eu sou mãe, quero falar com meu filho, mas não sei o que dizer. Eu sou o canto no calçadão, tatuando outro tempo no ar de agora, eu sou a alegria de não dever a ninguém, já que não tenho mais nada. Desculpa se incomodo, não era minha intenção.
O PROFETA Gentileza chamava-se José Datrino, nascido em 11 de abril de 1917, natural de Cafelândia, interior de São Paulo. Ele era mais um doido de matar com pedra, que ficava conversando com todo mundo, pregando nas barcas em Niterói. Falava de amor, de alegria, de gentileza. "Gentileza gera gentileza" era seu lema. Com a idade, cansou de andar, resolveu pintar os sentimentos bons nos pilares do viaduto do caju: Virou parte da cidade, que todos conheciam, tocava de vez em quando o coração de alguém, e fazia seu caminho pelo mundo. Na humildade, sem medo de perder, sem medo de ensinar. Morreu em 1996, e seus escritos foram apagados do viaduto. Sua tábua de ensinamentos já se perdeu, ms ele ganhou pelo menos uma canção.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004





Agora ela pode deixar o carro morrer, errar a vaga, cuspir da janela, como sempre sonhou! Danuza Cristina mostra que o sonho de tirar a carteira em Juiz de fora é difícil, mas não impossível. Agora todos os guardas rodoviários irão se ajoelhar quando ela passar. Chute alguns deles pra mostrar humanidade, querida.
Aparte boapra mim é que eu vou ter mais uma frase para acrescentar às mais ditas no namoro ("eu te amo" e "que foi?"): OBRIGADO PELA CARONA!


E eu continuo parado no exame de legislação. Hay que esperançarsse, sim perder la atencion difusa.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2004

Agora o Supimpa tem patrocínio oficial. Acho que vou viver de ficar sacaneando as instituições. Parece ser um ramo em expansão.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2004

Foto do anoitecer na América do Sul. As maiores concentrações de luz são capitais do Brasil.
ê mundão dêmeu Deus...


Quase dá pra ver minha casa daqui...
E o show do Tianastácia foi massa. Tentamos reviver o método wally de infiltração pra falar com os caras, mas descobrimos que gorilas enxergam muito bem. O raio do segurança ainda foi enrolado com o "conto do editor de revista cultural da FACOM que só quer um declaraçãozinha de dois minutos que não vai demorar". Só que os caras da banda não queriam saber de brincadeira. Fazer o que? Quem não tem caco de vidro que atire a primeira pedra.
A legenda do rock jforano, Russão Sete Treva, que era procurado por todos, veio falar conosco. Aos berros, dizia: O célebo derrete quando chera lóóóóó... e começava a cair. Coitado. Fomos clicados pela site jfnight, por nossa beleza e presença de espírito (o Juliano ficou implorando). Pra ele aprender q essa vida de celebridade não vale a pena, olha como ficou a legenda da foto: "JulianA e Roberto"


o dreher é o mais fotogênico

O Jota, viciado em donaduzzi como se pode ver por sua cara de coleirinha bêbado, perdeu um momento incrível do show. Completamente dopado, no fim, por seus comprimidos para dor de cabeça, não viu o autor que vos fala no mosh: aquela pancadaria voluntária onde ninguém fica puto com quem bateu, que é muito comum em shows de rock: ao saltar alto demais, vi horrorizado um carinha ser empurrado na minha direção. Suas costasbateram nas minhas canelas e eu fui deslocado no ar. Sofri a futebolística cama-de-gato, caindo em cima do peão, que já estava caído. Cambalhota digna de risadinhas abafadas do finado Zacarias.

Começou tb a auto-escola. Suicídio econômico para poder andar num carro que eu não tenho. Maravilha, né? Até q a galera lá é legal, mas eles mexem muito com a sua cabeça. Andando pela rua, li o seguinte anúncio: Pizzas. Tamanhos: pequena, média, grave e gravíssima...
Por último, a frase que simboliza toda a luta e renúncia dopovo brasileiro, dita por um destes corajosos, um mendigo qualquer: "Virgimaria, tchê!! Machuquei meu calinho..."

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004

Porra... uma noite acordando a cada vinte minutos, pesadelos, garganta seca, quilos de ansiedade nas costas no trabalho. Achei que o vestibular só afetava quem fazia a prova. Mas, pelo visto, o nervosismo foi recompensado: agora é só esperar o endosso da Reitora no dia 10. Parabéns pra vcs que passaram. Muita sorte e aproveitem ao máximo a faculdade (mesmo que ela pareça não permitir isso, às vezes). Nada de balinhas de boca em boca no trote!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2004

Ahá! O que vcs todos não sabiam é que eu estou é de greve. O post anterior foi um momento de fraqueza. Tá, eu fui fraco. Mas aquela tremedeira não queria parar nem com o consumo pesado de suco de mamão (tb por causa disso sumi do blog, o computador não cabe no banheiro). E vou continuar de greve, camarada, enquanto aquela merda de Universia não me pagar ou o São Paulo ganhar do Corinthians, o que vier primeiro! Fudido por fudido, eu truco!

"Tô me guardando pra quando o carnaval chegar..."

terça-feira, 3 de fevereiro de 2004

Eu sei que decepciono vocês com uma letra de música em minha majetosa volta ao blog. Mas acalmem-se: esta não é a minha volta. Ela não será majestosa. O que vc ainda tá fazendo aqui?

Essa é uma canção do Pedro Luís e a Parede, "a melhor banda de todos os tempos da última semana":

MÁQUINA DE ESCREVER
(Mathilda Kovak e Luís Capucho)

Meu Coração é uma máquina de escrever
As paixões passam
As canções ficam
Os poemas respiram nas prisões
Pra ler um verso, ouvir, escutar
Meu coração falar
Até se calar a pulsação
Meu coração é uma máquina de escrever
No papel da solidão
Meu coração é
Da era de Guttemberg
Meu coração se ergue
Meu coração é
Uma impressão
Meu coração
Já era
Quando ainda não era
A palavra emoção
Mas há palavras no meu coração
Letras e sons
Brinquedos e diversões
Que passem as paixões
Que fiquem as canções
Nos poemas, nos batimentos
Das teclas da máquina de escrever
Meu coração é uma máquina de escrever
Ilusões
Meu coração é uma máquina de escrever
É só você bater
Prá entrar na minha história