Se água matasse sede
Eu não teria que tomar
Mais de um copo na minha vida
Quanto mais dois litros, todo dia
Se existe rua sem saída
Por que alguém se mete lá?
Já não sei se é melhor moradia impedida
Ou paredes de vento, mas ter pr'onde andar
Do que vale escrever, lutar, desistir?
Se, ganhando ou perdendo, recomeço é o destino
Não ando convencendo nem a mim mesmo
Em qual mentira você prefere acreditar?
E o diabo é o jeito que tudo toma
A água é gostosa, sem nem gosto ter
Rua sem saída é sempre mão dupla
Por quem vc acorda, é quem te fez sonhar
(doce seria o sono sem sonho, porque por minha causa, eu não acordaria)