domingo, 29 de junho de 2003

Palavra deveria ser como o susto que alguém dá, de trás duma porta, naum como o vento que só arranha o vidro... e se o que eu disse não fez sentido pra vc, era exatamente o que eu queria dizer...

sábado, 28 de junho de 2003

Manifesto egoísta

Sonhei contigo na noite passada
como foi que vc previu?
mas vc nem veio perguntar
vai se corrigir e ser mais vil?

Não é nem obrigatório
mas podia prestar atenção
se se entrega por inteiro
sabe bem o que é a maldição

maldição de querer bem
todo mundo queria ter
por isso é preciso cuidado
o que sempre carrega é fácil perder.

sexta-feira, 27 de junho de 2003

Peço perdaum pela falta de acentos e a nova recorrencia no erro de escrever sobre naum escrever. Espero ser a ultima. Abraços...

Quatro dias. Horas demais para conviver com alguem. Pernas demais numa rua, onde fica minha janela. Por sorte, eu creio...
O tempo exato para dizer, numa hipotese no minimo remota, tudo o que venho pensando. Mesmo conseguindo algum voluntario (talvez no corredor da morte ou algum redator do Zorra Total), perderia, durante o processo, a vontade de falar. Mas seriam dias interessantes. Uma faca pendurada no meio da sala onde estariamos eu e minha cobaia faria a coisa ficar ate engraçada. Mas assim, com certeza, naum seriam quatro dias de convivio.
Quatro dias... No carnaval, o tempo onde dezenas de historias se criam, todas com começo, meio e fim. Bons trunfos para um conversa de bar. E minha historia? Levaria aonde? Diante deste texto, o palpite seria o inferno. Ou entaum, para as mesmas risadas que as historias de pierrot. Por que naum?
Ate vejo o processo. O primeiro dia com meu novo amigo seria uma enrolaçaum confusa da lingua. Tentaria falar de qualquer maneira, e naum adiantaria nada. Me perceberia entaum como quem, um dia, acorda cego. Tentando reencontrar o que, antes, era taum comum, mas taum comum, que nem se percebia: A luz. O segundo dia seria uma especie de torpor. Uma espera desanimada para que tudo voltasse a sua simplicidade anterior. Cansada, a esperança seria fina como um cordaum. Varios fios guiando o fantoche, mexendo minha boca, algumas falas ate com o som de verdades.
Entaum, a "queda". Um dia de gravidade inversa, levando-me a cair nas profundezas do espaço, cada vez mais escuro. O vacuo onde o som naum se propaga. Neste ponto, a tal cegueira e a visaum naum teriam mais diferença. "Boa noite e naum adianta gritar." A desconstruçaum completa do que havia pra dizer. Seria ate bom pro cobaia tentar a faca agora.
Mas... no quarto dia -- quem sabe? -- sem animo pra procurar, apenas trombar com uma estrela. Olhar pra ela e ver tudo ao meu redor se tornar taum claro, taum puro, que eu sumiria, na minha opacidade. Seria como uma sombra ao meio-dia: escondida demais pra ser notada, mas ainda la. A luz como uma força. crescendo em mim de fora para dentro, diminuindo o que foi oculto para aumentar sua altura. Limpo, forte, so sobraria o que antes eu procurava. Big bang um momento antes, o segundo mudo antes do grito que diria tudo. Por que naum? Por que naum?
Porque, pleno de mim, prestes a dizer tudo o que queria... me faltariam palavras.

quinta-feira, 19 de junho de 2003

Parece que tão apertando minha cabeça com uma turquês. Será que meu amigo Araraponga me levaria para um hospital, se não estivesse me devendo uma? As pessoas não conseguem ser boas por natureza. Não mais. Só um escambo de virtudes, hoje em dia. Bondade por obrigação, tão fraca que até a timidez pode sufocar. E tem outra. Já que estou de mal humor, pau no cu dos que disseram que iam mandar textos pro Oráculo, principalmente os dois que aceitaram os convites e até agora, não responderam meus e-mails.
Esse é um texto que eu retirei da revista "Origem: Wolverine" com a história do meu herói de quadrinhos predileto. Eles mudaram um pouco o poema original, mas ficou igualmente grandioso:

O Tigre
(Willian Blake)

Tigre! Tigre! brilho, brasa
Que a furna noturna abrasa,
Que olho ou mão armaria
tua feroz simetria?

Em que céu foi se forjar
O brilho do teu olhar?
Em que asas veio a chama?
Que mão colheu esta flama?

Que força fez retorcer
Em nervos todo o seu ser?
E o som do teu coração
De aço, que cor, que ação?

Teu cérebro, quem o malha?
Que martelo? Que fornalha
o moldou? Que mão, que garra
seu terror mortal amarra?

Quando as lanças das estrelas
Cortaram os céus, Quem as fez
Sorriu talvez?
Quem fez a ovelha te fez?

Tigre! Tigre! brilho, brasa
Que a furna noturna abrasa,
Que olho ou mão armaria
tua feroz simetria?

quarta-feira, 18 de junho de 2003

Hoje, no ônibus, vi uma menina linda sentar à minha frente. Ao meu lado, um velho comum (cabelo branco, saindo pelo ouvido, nariz, blusa cinza...). Quando ele a viu, mudou completamente. Sem se importar se alguém, como aquele carinha com um livro na mão e uma touca na cabeça, estava olhando, ele começou a olhar com uma gula enorme pela menina. Variando umas três vezes por segundo o lugar do corpo dela pra onde olhava. Sua boca começou a se mover num biquinho, e a parte da pele que fica entre as orelhas e o queixo inflava-se e ficava flácida muito rápido. Juro pra vcs que ele estava parecendo uma barracuda respirando. Quando já não aguentava mais aquele esforço, voltou a olhar pra frente, falar do mengão com o motorista, como se não tivesse acontecido nada.
Será que todo homem fica assim depois de velho? Porque tarados todos nós já somos um pouco. O caminho mais visível é a transformação em barracuda, pelo visto. Deurmelivre.

O blog com as revistinhas históricas para download: RAPADURA AÇUCARADA

sábado, 14 de junho de 2003

Continunado a série de homenagens rs:

O sol não brilhou, os passarinhos não prepararam nada especial para cantarem. Houve alguns assaltos, mas nada anormal. Um dia típico, tirando os muitos casais pelas ruas. Mesmo assim, mesmo com as pessoas andando em duplas, não parecia q o sonho de John Lennon finalmente tivesse se concretizado. Ainda ouviam-se tiros nos morros. As celas ainda tinham sombras pra distraí-las. Era o dia 12 de junho. Eu ia andando, trombando com algumas pessoas, percebendo os devotos mais fervorosos de Santo Antônio, em seus derradeiros momentos de esperança. Como pode a gente se deixar levar por jogadas de marketing? Inventarem um dia pras pessoas dizerem que se amam, só pra venderem seus produtos. Não houve uma invasão de um enxame de cupidos. Não havia nenhum pôr-do-sol bonito pra se ver, aqui nas Vertentes. Nem sequer choveu. O que é que esse dia tem de especial?
Então eu encontro a girlfriend, e percebo tudo. Esses olhos que fazem com q eu largue toda a carga que carrego me dizem o que eu tenho que ouvir. Mesmo que, às vezes, eu não queira. É bom demais tê-la comigo. Queria eu poder resolver todos os seus problemas, só pra ter mais tempo ocioso pra ficarmos juntos. Então, se eu adquiro uma consciência tão grande do quanto sou melhor com ela, porque não aproveitar e fazer o mesmo jogo que os marketeiros? Eu não compro o presente porque me disseram que, no dia dos namorados, a gente dá presente. Eu compro o presente porque quero sempre agradá-la, e aproveito o dia dos namorados como pretexto. Pros meus credores perdoarem o luxo e pra ela não ficar muito convencida.

Te amo, Dan.

quinta-feira, 12 de junho de 2003

Tem um bom tempo que eu tô em "animação suspensa", como o Capitão América ou o Walt Disney(mas essa versão não está confirmada). Uma barreira de gelo me fazendo ver o movimento nas ruas, mas me impedindo os movimentos. Isso faz de mim um perfeito engradado de idéias voláteis. Todas elas são boas promessas, mas, ao abrir a tal caixa, evaporam... Me dá vontade de voltar a crescer. Voltar a pensar, mesmo que isso doa. Aprender a enfiar a cara nas coisas. Bem, no momento, nenhuma mudança nas coordenadas da Enterprise. Mas tem alguém que sempre me surpreendeu, e continua com esse ótimo hábito. Cristiane, que bate um pega com meu amor aqui pra saber quem mais posta. Vc é uma das pessoas que mais admiro, por sua sinceridade e consciência na vida. Que as caminhadas noturnas que vc faz esporadicamente sejam sempre cheias de poesia, beleza e coragem, como a última... um beijo na testa e um cavalo de pelúcia pra senhora.

terça-feira, 10 de junho de 2003

Sitezim muito interessante e bem feito sobre comunicação. Uma aula pro pessoal daqui, que tá indo devagar, apesar de ter o tal do Extra!, que é razoável: UFBA.
Que a força esteja com os senhores...

segunda-feira, 9 de junho de 2003

A verdade é que o Araraponga se machuca todo período... Dentes, tornozelo (conhecido nas peladas como canela), agora a cabeça. Na minha opinião isso é uma praga de algum antigo desafeto de São Lourenço, onde ele pulou muitas janelas e quebrou alguns dentes. O vodu comendo sua alma, fazendo seu corpo apodrecer aos poucos. Pelo menos vamos ter alguém pra colocar "in memorian" no convite de formatura rs. Passamos um rai duma quarta-feira de cão, com a saúde pública de JF nua e crua (além de vagarosa e capenga). O guarda da emergência que impede a entrada de acompanhantes mas não matava os insetos que ficavam na emergência. Seu boné do Grupo Arizona mostra que ele nem queria estar lá. O médico vai jantar umas 3 vezes em duas horas, as enfermeiras chutam muletas. Enfim, apóio inteiramente os gritos de uma das felizes pacientes do corredor de emergência, quando ela dizia: "Aqui só tem filho da puta!" Direto e eloquente. Mas a gente comemora mais uma sobrevivência e recomenda, em caso de doença em JF, a procura de curandeiros ou exorcistas. Médico aqui é tudo filho da puta.
Tirando isso, a semana foi muito boa. A poesia continua escondida por aí, mas o Aero Pub até que é legalzinho...
Durmam bem, que dormindo, sonham. Espero que não seja com amoxicilina ou chifres.

sexta-feira, 6 de junho de 2003

Isso era um comment pro post "Duas horas no PS", mas o blogger naum tá deixando, entaum vai aqui mesmo.
Filhim
São grandes lembranças, aquelas do pronto socorro. Infelizmente vc sobreviveu, o que quer dizer q o OCinC continua com baixa qualidade, mas é bom saber q, até o próximo período, São Pedro está livre de vc. Vou botar um post sobre o assunto, assim traduzo mais ou menos o seu poema.
Não sou muito chegado nessa budega de ficar usando palavras alheias como post, mas tá aí. Grande letra, que não me sai da cabeça, no dia de hoje:

Momento Psico-plágico:

Um Dia Perfeito
(Legião urbana)

Quase morri
Há menos de trinta e duas horas atrás
Hoje a gente fica na varanda
Um dia perfeito com as crianças
São as pequenas coisas que valem mais
É tão bom estamos juntos
E tão simples:
Um dia perfeito
Corre corre corre
Que vai chover
Olha a chuva !
Não vou me deixar embrutecer
Eu acredito nos meus ideais
Podem até maltratar meu coração
Que meu espírito
Ninguém vai conseguir quebrar

terça-feira, 3 de junho de 2003

Aí vai um poeminha. Precisamos trabalhar pra restabelecer o crédito e o público. melhorias, podem não haver, mas pelo menos a gente escreve mais.


Pó(nteiros)

Se houvesse em nós um rastro
Uma luz por onde passei
Que desenho estranho seria
meu trajeto, por onde andei?

O traçado seria o mesmo
todo dia, sem mudar?
Zigue-zague pelas ruas
ou, todo dia, variar?

Nos elevadores mais variedade
Outras dimensões no trabalho final
Dia-a-dia o homem abre caminho
se não vai mais pros lados, vertical.

E, cavando pra todos os lados,
Seu ego comendo o que encontrar
Vai vendo os anos passando
E o trajeto, recomeçar.

A frequência que se desenha
Sobre o fóssil do que se passou
Mostra, de longe, um mero refrão:
"Do pó ao pó, como o pai e o avô."