terça-feira, 29 de abril de 2003

O companheiro Araraponga trouxe pelo menos uma leitora assídua (mesmo q ela leia só os posts dele rs). Mas ele só tem alguns dias de blog. É uma boa média.
Hoje tive minha primeira experiência em coser uma bermuda. É a minha nova função na casa, já que trabalho remunerado começa a se tornar algo impossível. O trabalho, que parecia ter sido bom, começa a mudar de classificação, já que eu to sentindo uma corrente, vinda do sul, meio fria.
O povo da EMBRATEL já deve ter usado meu currículo pra testar alguma impressora, e minha foto deve tá no arquivo "os mais bigodudos", e eu vou ter que apelar. Mais um pouco e eu até aceito mexer com informática de novo. Mas, lembrando do meu auxílio à minha mãe hoje e seus gritos de desespero ao perder todos os dados calculados durante o dia, acho que é pior pro mercado rs.
Tirando isso, uma felicidade muito grande. Valeu por perguntar.

domingo, 27 de abril de 2003

É... chegando aos 1250 anos, eu já não sou o mesmo oráculo com vitalidade pra encher a cara de suquinho gummy e gravitar pelo universo usando apenas uma bola de cristal entre as pernas. Não consigo mais prever as coisas com tanta exatidão, meu terceiro olho, que fica na testa, q fique bem entendido, já não se abre com o mesmo ânimo. Até minhas pragas não são mais respeitadas, e isso me deixa um pouco desiludido. Fico então sem forças para escrever, e deixo o bloft cada vez mais às moscas. A solução? Araraponga nele. Que seja bem-vindo o novo reforço do Oráculo Cambeta, com sua alta dose de sarcasmo e poesia, como um beijo de língua num monte de estrume. Bem vindo, e solta o verbo, porque o povo q lê esse treco tá sempre querendo mais.

Festinha na quarta, com djs,´pirofagia, mercadinho, piercing e mais uma pá de coisas. Ingressos comigo.

quarta-feira, 23 de abril de 2003

Texto meu, feito num momento de paranóia delirante, como diria a doidona:

Continho Histórico

E naquela avenida havia um gueto. Não. Nem promovido a isso era, ainda. Era apenas um cortiço. Algumas casas rodeando um pequeno chafariz. Um banheiro coletivo e apenas algumas casas com o direito do apelido de “suítes”. Como em qualquer cortiço.
E, como em qualquer cortiço, os menininhos quebravam vidraças. Aquele senhor, como tantos como ele, tinha uma carrocinha com doces, donde tirava o suficiente “para o bacon e o lustra-carecas”, como ele dizia, sorriso sob os óculos. Uma vez, unindo estes dois fatos, o cortiço teve o seu primeiro enfarto. Mas o velhinho recuperou a saúde e as finanças, e continua com sua carroça, à frente de um colégio.
A luz, às vezes, acabava. A conta era de todos, mas, de vez em quando, um dos moradores sumia por semanas. Um dia, ele voltava. Alguns com brinquedos para as crianças, pagando um churrasco, porque mudou de vida. Na maioria das vezes, porém, a pessoa voltava quieta, cicatrizes melhorando. Nesse dia, as lâmpadas apagadas eram uma benção, e ninguém cobrava a conta dele.
O cortiço ficava sempre aberto, para todos. Era bonito passar por ele e ver, mais altos que os fios, os papagaios e pipas, partindo de dentro da fonte, linha nas mãos dos garotos marrons.
Com o tempo, tudo continuou. É bem verdade que um pedaço da parede da casa do alto caiu. O mesmo tempo encheu de infiltrações o quarto ao lado dos tanques, e a tabela de amarelinha apagou-se no quatro e no inferno.
Os meninos cresceram, e um deles já era pai, casando com uma loirinha da casa ao lado. Outro morreu, baleado, num assalto. O senhor da carrocinha aceitou um dinheiro de alguns homens de terno, e hoje, vende mais do que doces na escola. Deixou seus óculos sobre um murinho, um dia, e não voltou para buscá-los.
Poucas senhoras barrigudas ainda se negavam a desistir daquele “oásis de antiguidade numa cidade moderna.” Acabou que elas engoliram essa conversa e venderam suas casas, dando licença para o progresso passar.
Demoraram quinze meses para construírem tudo, em cima do cortiço de dezessete anos. Mais dois arranha-céus que, até o começo do outro século, eram conhecidos como World Trade Center.

P.S.: Pão com ovo é bom, mas cultura é sacanagem. Sempre bom ter sangue novo no blog, assim as abobrinhas se renovam rs

terça-feira, 22 de abril de 2003

O texto abaixo é de minha inteira gastonomia

Anttonnio Cezzar Araraponga (pão com ovo é cultura)
Páo com ovo

A vida poderia ser mais simples
Simples como um pão com ovo
Um ovo de gema mole,
que ao ser esmagado por dedos vigorosos,
na änsia da fome,
escorresse até o prato e cobrisse,
amarelo como um sol claro de manhã,
toda a superfície

Avidamente,
Outro pão seria solução
Esfrega aqui e ali
Este prazer seria reproduzido
como em uma mitose.
Genética alimentícia
Onde houver pão com ovo
Haverá fartura

A vida poderia ser assim...

sábado, 19 de abril de 2003

Uma enorme vontade de dizer alguma coisa. Alguma coisa q quebre o dia em dois, como um beijo na boca, ou a morte de um amigo. Que vcs se lembrem das coisas q gostariam de ter guardado, mas esqueceram no minuto seguinte. Que tragam mais vinho quando o pessoal disser que tá na hora de parar de beber. Que deus, se existir, não leve os autos a sério, porque é bem feio ver garotos bancando Judas ou João, ou Jesus. Parem de contar essa história, porque ela já caiu na mesmice, e isso não dá mais audiência...
Que os botecos abram na sexta-feira da paixão, porque os pagãos encontram seus deuses quando se libertam do que são todos os dias, e festas só com hereges são sempre as mais interessantes.
Vontade que passa, mesmo sem a missão cumprida. Esse blog precisa dar uma parada mesmo.

sexta-feira, 18 de abril de 2003

Peço perdão pela pequena pausa no blog, mas ele, assim como eu, está passando um momento diferenciado. Em breve voltarei, por enquanto curtam alguns textos desse grande escritor, o doutor Anttonnio Araraponga. Por agora, só tenho a dizer algumas palavras sobre a "ex-guerra".
Bin Laden ataca os EUA. Eles destróem Bagdá em nome de sua defesa. Saddam Hussein é "visto" na Síria, próximo alvo da poderosa Coalização. É pra eu acreditar? É pra alguém acreditar? Foi mal aí, se eu não cumprir minha parte.
Q q a Síria fez? Já condenou o uso de armas proibidas, abaixando as calças pro Bush Jr. Essa expansão tá me lembrando as invasões de Genghis Khan...

terça-feira, 15 de abril de 2003

NÃO

eu não quero me enebriar
do teu vinho
eu não quero ser o "a"
do teu destino
eu não quero ter a senha
do teu banco
eu não quero causar
teu espanto
muito menos quero te ver
em prantos (ainda q sejam lágrimas agridoces)

Ps. me cansei (isto sempe acontece qdo descubro q vou comer panquecas no fim de semana)

Anttonio Cezzar Araraponga (aquele daquele dia)

sábado, 12 de abril de 2003


...COMEÇO

quinta-feira, 10 de abril de 2003

Desde q o mundo é mundo
Receita só serve pra bolo
Regras só serve pros tolos
À direita, à espera, de plantão

Desde q o mundo é mundo
O sexo é o falso pecado
Adjetivo é ser massacrado
Por mãos, por sãos, pulsões

Desde q o mundo é mundo
Sofrer pode ser condição
Viver pode ser confusão
Indecifrável, inigualável, impublicável

Desde q o mundo é mundo
O mundo continua sendo mundo
O mundo continua sendo imundo
Imundo, estranho poço sem fundo


Psw. Essa pode ser uma canção, poesia ou um mero devaneio ( o q para mim é um elogio)
Não sou dono do blog, mas sou amigo do dono....
Anttonnio Cezzar Araraponga ( o prazer é (só) meu)
Corre, corre, corre! Cada tarde que chega é um dia a menos na nossa comédia romântica...

terça-feira, 8 de abril de 2003

Às vezes só é preciso um beijo de boa noite...

segunda-feira, 7 de abril de 2003

Textim do velho Braga, se tiver saco, leia:

Meu ideal seria escrever...

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria -- "mas essa história é mesmo muito engraçada!".

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".

E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.


Só, doutor Rubem, que vc esqueceu de dizer o principal...
Vc gostaria de escrever isso tudo porque assim deixava alguém feliz. Mas, não escrevendo, deixa quem lê triste. Por isso vc é respeitado. Porque sofria, te diziam parabéns. E, querendo sempre tocar, vc sofria para continuar ouvindo palavras, mesmo que cumprimentos sem sentido. Círculo vicioso, cheio de fumaça e com um cheiro forte de coisa podre. Assim é. Assim será.
Eu, ao contrário de vc, queria mostrar uma coisa bem feia pra todo mundo. Queria eu, dentro de um bar muito movimentado, cortar meu peito de fora a fora, com uma faca de manteiga. Que o sangue espirrasse nos rostos contorcidos das pessoas, e um cheiro de ferrugem tomasse os narizes e infectasse as gargantas de todos. Que o meu grito de dor fosse alto, depois do corte, mistura de raiva e plenitude. Você ia ficar puto, ou chocado, ou com medo. Os vômitos que eu provocaria com meu coração pulsando fora do peito te impediriam de sentir pena e, se ainda assim, seu puritano hipócrita e filho da puta... Ah! Se, ainda assim, vc sentisse pena, eu levantaria e te cortaria a garganta, e beberia o seu sangue, junto com uma vodca. Jogaria o resto do copo nos garçons, e eles cuspiriam a revolta de todo dia servir, me ajudando na matança. Eu sairia para a rua, chutando as mesas, derrubando os maços de cigarro e celulares. Um bebum iria me chamar de chapolim ou cois aparecida, e um tiro no olho seria minha resposta. Até descarregar o tambor, o som tomaria conta de tudo, e algum dono de mercearia gordo iria parar de roncar, pelo menos. De manhã cedo, os jornais apareceriam, e eu teria uma platéia muito maior. Uma raiva crescendo até ter o tamanho da opinião pública. Depois de uma semana, tudo voltaria a ser como antes, com prêmios para os participantes mais alegres e competições que envolvessem sopa de minhocas, mas aquele bar seria pra sempre maldito. Por mais que lavassem o chão, aquele vermelho escuro não sairia mais, e as pesoas iriam para a rua, para não usar essa calçada. Nesse dia, ia fazer um calor de matar, pra todos vocês não esquecerem de ligar os ventiladores, e as lâmpadas fluorescentes iriam vender bastante.

domingo, 6 de abril de 2003

Eu queria voltar a me preocupar só com onde eu guardei meus "Comandos em Ação"...
Eu queria voltar a subir em árvores, pra comer jabuticabas em Chácara...
Eu queria voltar a andar de velocípede, e me achar muito rápido...
Eu queria voltar do colégio correndo, só pra ver Thundercats inéditos...
Eu queria voltar a ter menos de meio metro, e chamar a atenção de todos só com uma careta numa hora inesperada...
Eu queria voltar à época em que a árvore de natal era maior que eu...
Eu queria voltar a comer danoninho e usar a forminha pra brincar na areia...
Eu queria voltar a olhar pra cima pra enxergar meus pais, porque olhando pra baixo, eles parecem muito pequenos...
Eu queria voltar a desenhar e colorir para transformar as horas da tarde, que agora parecem tantas, num tempo curto...
Eu queria enrolar todas as massinhas numa só e, com elas, escrever umas letras que só eu entendo...
Eu queria dormir boa parte do dia, e só acordar porque já não tenho mais saco pra sonhar...
Eu queria ter certeza de alguma coisa...

sexta-feira, 4 de abril de 2003

Novidade no jornalismo esportivo na BAND: Jorge Kajuru assumiu o comando do Esporte Total. Competência comprovada, mas como ele mesmo diz, é gordo, feio e macho!! Não faz diferença, ou pior, até piora a situação, uando diz que é muito feliz. Que saudade da bela incompetência da Ana Luiza Castro! Interrupção de um processo que visava desligar os homens um pouco da fixação pelo esporte bretão, com a demonstração de valores mais "elevados". Sacanagem!!
Brincadeiras à parte, lembram-se da comoção mineira quanto às v[itimas da chuva? Pois é... Ter o que vestir, eles têm (graças até a alguns de vcs). Agora vem a mobilização para a construção de novas moradias. Há um disk-auxílio rolando nas televisões, vamos ajudar. Eu, infelizmente, não posso contribuir. Meus credores começam a cobrar dívidas antigas, como as do carnaval. Senão ajudaria. Até...

quarta-feira, 2 de abril de 2003

Bom, esse post foi republicado por dois motivos.
Um deles é uma espécie de "homenagem póstuma" à Pamella. vc gosta tanto desse post, namorada, que eu resolvi republicar, pra vc reler mais uma vez, rs. Que o amor que eu sinto por vc, que, num dos movimentos do móbile, virou uma admiração gravada na minha alma, seja sempre vivo em nós. Que a minha vontade de te ver feliz vença a distância e te ajude a seguir sempre. Vc ainda tem meu telefone, gatinha... Boa sorte em Ouro Preto.
O outro motivo? Vc sabe, se não sabe, não é vc quem devia ter lido, rs ...

Do Amor

Não falo do AMOR romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com AMOR. Chamam de AMOR esse querer escravo, e pensam que o AMOR é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o AMOR já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta. A virtude do AMOR é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O AMOR está em movimento eterno, em velocidade infinita. O AMOR é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do AMOR não nos domine?

Minha resposta? O AMOR é o desconhecido.

Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o AMOR será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do AMOR é a de um ser em mutação. O AMOR quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.

A vida do AMOR depende dessa interferência. A morte do AMOR é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o AMOR não podemos castrá-lo.

O AMOR não é orgânico. Não é meu coração que sente o AMOR. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O AMOR faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O AMOR brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o AMOR grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do AMOR, se estivermos também a devorá-lo.

O AMOR, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o AMOR a navega. Morrer de AMOR é a substância de que a Vida é feita. Ou melhor, só se Vive no AMOR. E a língua do AMOR é a língua que eu falo e escuto.

MOSKA

Dorme bem, que dormindo sonha...

terça-feira, 1 de abril de 2003

Coisas

Às vezes eu fecho meus olhos e ouvidos
e as coisas parecem perder o sentido
escuto as pessoas falando ao redor
(e os meus pensamentos, que eu já sei de cor)
qualquer novidade, a mais quente da praça
e o tradicional, igualmente sem graça
os velhos costumes, as novas manias
as vozes, às vezes, parecem vazias
o saco tá cheio, tá fraco, cansado
escuto as pessoas falando ao meu lado
a televisão, as notícias de sempre
que querem que eu saiba, que querem que eu lembre
mentiras, verdades, são tão parecidas
azares e sorte, a morte e as vidas
às vezes as coisas parecem perder
o sentido e a razão, e a razão de ser
tudo perde o sentido e a graça e o gosto
às vezes as coisas parecem sem rosto
são coisas da vida, da vida de coisas
de coisas pequenas que a gente atropela
as coisas da rua, do ar e das casas
as cores das coisas na nossa janela
às vezes eu abro os meus olhos e ouvidos
e as coisas parecem fazer mais sentido
e a cor aparece e o céu me colore
querendo que eu ria, querendo que eu chore
eu moro nas coisas, na casa das coisas
das coisas pequenas que a gente ignora
das coisas da lua, do mar e das asas
das coisas de sempre, de hoje de agora.
(Gabriel, O Pensador)