terça-feira, 30 de dezembro de 2003

E tá na hora...
Tá na hora do post de fim de ano:

"São João Nepomuceno."
"Onde fica esse treco?"
"Depois de Bicas."
"Ah... Onde fica Bicas?"
"Fala sério..."





Esse raio de cidade foi o primeiro lugar onde baixei neste ano, que seria de muitas viagens e autoconhecimento. Carnaval, que o mês de janeiro já tinha ido todo embora. Uma carta na bagagem, uma possível chance de ter esperança e meses de reconsituição pro meu fígado. Era esse o plano.
Não bebi quase nada, fiquei jogando videogame de cuecas durante o dia. A porra da esperança, que se revelava cada dia mais maldita escapou da mão e saiu correndo, pra porta da rua. O fígado agradeceu, o resto pediu as contas.
Mas, sem ter preenchido a vaga pra cérebro, tudo ficou mais simples... Uma mente débil e capenga é bem quentinha e úmida: ambiente perfeito pra esperanças e ratos. Então as viagens e o autoconhecimento de março foram adiados, em nome de uma espera. De um jogo. Consistia em enfrentar um medo, conversar um pouco, ver se já tinha alguém batendo cartão no peito. Quem perdesse, saía ileso. Ambos ganharam. Abril: Que viagem!!! Não... Juiz de Fora. O chão era daqui, o resto é que mudava. Até hoje varia, mas com maiores intervalos. Viagens pro Espírito Santo, uma passadinha muito boa de novo em São João Nepomuceno. Parece que, quem cria raízes por lá, não quer morar nem em Bicas. O remédio são visitas à cidade. Na faculdade, animei no primeiro semestre. É isso que eu quero pra sempre. No segundo, só chateação... quem precisa de diploma? Acho que vou terminar pra depois decidir: só faltam 3 anos mesmo...
Acho que, no fim das contas, o ano foi de muito autoconhecimento, dividido com muito conhecimento da outra... tb. Mas foi um ano de muita solidão. Falta dos amigos, que estão se achando (ou se perdendo) por aí. Da família, que diminuiu, e agora vai aumentar. Muitos conhecidos já estão tendo filhos, o que dá uma sensação estranha. Parece que tomei consciência de todos os meus vinte anos de uma vez só. Será que a vida vai sendo definida assim? Meio de orelha? Só no acidente? Acho que o ano foi de conhecimento do mundo. Por isso essa vontade de ficar o próximo debaixo da cama.
Mas não é assim: nesse que vem, a gente tem sempre que esperar mudança. Boa ou ruim, eu só vejo no próximo post de fim de ano. Tomara que seja um ano de muitas viagens, autoconhecimento, amor, coragem, coragem, coragem, sinceridade e presença de espírito, pra poder enfrentar as coisas que não vão mais ser boas pra mim. Até pras que serão boas a gente precisa de incentivo! Que ele traga coisas boas e não seja um ano burocrático. Que demore bastante e seja um aprendizado. depois eu te passo a cola.


p.s.: o reveillon vai ser em São João... :)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2003

Choveu hoje à tarde. Caía a água no asfalto e eu estava comendo na casa da minha avó, no almoço de natal de todos os anos. Um almoço que junta toda a família, que rende conversas da ceia do dia 24, que faz a gente prometer visitar os parentes de barbacena que sempre vêm. Nesse ano, nada disso. A ceia do dia 24 foi só aqui em casa, com a minha irmã e seu marido que são, cada vez mais, visitas. Eu e meu irmãozinho inventando mandingas e macumbas para ver se exorcizava a tristeza que sempre se abate quando tá todo mundo junto aqui em casa. Até que deu certo. A noite foi mais agradável. Mas a cabeça continua cheinha de caraminholas trangênicas.

Ano passado eu já falei sobre o que achava dessa festa... Natal, tempo de amor. Lema na ordem errada, eu já disse: Natal, amor de tempo... Festa chata, que, pra ser feliz, precisa de dinheiro pros presentes, pra ceia. Que depende da mentira pra incutir magia na cabeça das crianças. Depois ainda quer que acreditem nisso. Então ensina sem mentir, se for capaz! Tem mó moçada por aí que se diverte no natal a rodo, sem um tostão, mas porque é feriado, não por ter o natal algum tipo de aura ou "espírito", e a gente vestindo a máscara de festas pro fim de ano: a máscara barbuda e com gorrinho vermelho. No fim das contas, eu sempre acho que o Natal caiu no domingo porque todo ano ele é morto como uma tarde com o Faustão.
E ainda tem o reveillon, que é uma puta energia acumulada que eu não aproveito, porque já olho pra trás o ano inteiro. Comemorar a idade avançar sempre foi um costume estranho, e a tristeza é saber que mais um ano foi subaproveitado como os restos da ceia. Hora de vestir mais uma máscara, esperar dar meia-noite num relógio que pode estar adiantado 10 minutos... Tô pra isso, não. Mas, de qualquer forma, a vontade é que sempre se tenha um dia de amanhã melhor. Muita saúde pra vocês e força pra peitar o tempo. Todo dia, não só no Natal.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2003

Opa!! Esqueci a divulgação!
Quer brincar também??
Vem aqui
O mais difícil de fazer foi o Doidão... mesmo assim não ficou muito parecido. O melhor retratado foi o Ski. Mas maneiro mesmo ficou o Ash: tá a cara do michael jackson, como ele sempre sonhou. Nem nariz ele tem.


Um bom fim de ano praqueles que conseguem gostar dessas merdas que são as festas de fim de ano. Acho que vou fazer um retiro espiritual dessa vez...
Filismino 2004: Será que sai???

quarta-feira, 17 de dezembro de 2003

Publicidade: a alma da propaganda


De: falaaí
Para: homeronogueira@bol.com.br
Data: 16/12/2003 06:30
Assunto: gabriel

Fala, Homero.

Só li agora o teu poema lá no site e gostei muito...
..."salgando as feridas" e outras imagens bonitas mesmo.
Valeu.

Tudo de bom, feliz 2004 e muita inspiração.

Abraço,

Gabriel O Pensador.


Porra... tô muito feliz. É óbvio que eu não esperava que ele respondesse, tanto que só coloquei o poema na página dele por insistência do Pedrim, meu manim.
Agora que ele respondeu, parecia lógico que ele responderia, não pelo poema, mas, provavelmente a todo mundo, trocando só o que tá entre aspas. O cara sempre foi bom, não seria descuidado com isso.
Bom, de qualquer jeito, é uma puta alegria misturada com gratidão e vaidade(pq não?). Estímulo na veia!

terça-feira, 16 de dezembro de 2003

Papai Noel é preso no Iraque






Foi preso, neste fim de semana, Nicolau Hussein, o homem mais procurado do mundo, depois do Wally. O simpático velhinho foi preso quando fazia uma rota clandestina para a Lapônia, usando uma rede de túneis que facilitavam o contrabando de brinquedos falsificados de Taiwan.
Santa Claus, como era chamado, trazia granadas de mão e HK-47 para as crianças do morro dona Marta, no Rio de Janeiro. A entrega, prevista para o dia 25 de dezembro, foi adiantada, pois o secretário de segurança do Rio de Janeiro agendou visitas às crianças para a semana do Natal. O pagamento já tinha sido feito: Papai Noel carregava, numa barriga falsa, US$ 750.000,00 que seriam usados para criar novos métodos de torturas para seus anões rebeldes. O ditador sempre foi conhecido por maltratar renas e americanos, numa atitude de preconceito ódio desmedido. "Americanos e esses veadinhos são tudo farofa do mesmo angu." dizia Hussein, já afetado pelo sedativo aplicado na foto acima.
George Bush Jr comemorou a prisão, dizendo que finalmente ia mostrar ao papai quem ia estar certo. "Ele sempre me disse que o bom velhinho não existia, frustrando meus planos de ser seu sucessor. Desiludido, me tornei presidente." Depois da declaração, milhares de velhinhos barbudos em roupas vermelhas fizeram manifestações em frente à Casa Branca, mostrando seus traseiros pichados por dizeres como "respeito à classe trabalhadora" e "me dê um presente: devolva meus impostos".


Falando sério: esse aí deu pena.
Igual eu tenho pena da metade do país que não tem nada pra manter os penicos de ouro dos palácios dele.
Igual pena dos combatentes que morreram pelos barris de petróleo e lutas de ego.
Igual dó dos sem-orelha: pessoas que se negavam a ingressar no exército dele.
Pena dos trouxas americanos que foram pra lá morrer pelo outro ditador.
É.... 2004. Em que mês explodirão algum monumento? Eu aposto em junho.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2003

Boa sorte pra moçada do vestibular. Tomara que todos passem... mas nada de "chão" nas mostras que vierem.
Vestibular e qualquer outra prova. Confiem em vocês e respirem fundo. O resto é detalhe.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2003

As vezes quem trabalha é quem não cansa. As vezes, quem não trabalha tá cansado.

reflexão botichelesca de intervalo pro café

segunda-feira, 1 de dezembro de 2003

O que vc poderia ter feito, já que não foi ao show dos los hermanos:

1. dormir
2. auto-masturbar-se
3. marcar aquele exame de toque retal
4. ver zorra total
5. jogar buraco com suas tias
6. ler blogs de merda (e depois auto-masturbar-se)

ou vc podia ir ao show e:

1. dormir
2. olhar pro público e dizer: "estou velho"
3. auto-masturbar-se
4. conhecer 80% da FACOM
5. pagar R$1,50 por uma batida e receber um licor
6. suar como nunca(e depois auto-masturbar-se)

Brincadeiras à parte, o show foi bom. O som bom, os músicos inspirados e concentrados, os amigos diferentes ou iguais, chorando como nunca ou sorrindo como sempre. Divertido foi ver o pobre Dercy Gonçalves, xingando com fluência, ao nosso lado, por cometer o deslize de levar a namorada ao show e vê-la ficar com outro nas suas fuças. O Fritz é um lugar com potencial, se implantar uma das maiores invenções da era moderna: janelas. Que lugar quente, cacete!
Tirando isso, muito bom. Se vc for a um desses shows, não use salto, e não fique perto da porta de entrada, que é chato ver a moçada entrando e dizendo: opa!, achando que vc é do comitê de recepção.

ps. Entreguei o supimpa na mão do marcelo camelo, seu monte de merda.

aliás, aquele cara tá a cara do Gimli, o ridículo anão do Senhor dos Anéis

sábado, 29 de novembro de 2003

"-Manuel, por que deixastes o celulaire em cima da máquina de lavair?
-Ora, estúpida! Estás cansada de saber que ele não funciona forada área de serviço, ó pá!!!"

mais uma pérola da comédia brasileira. É só ligar na globo, sábado à noite. Sair pra que???

quarta-feira, 26 de novembro de 2003


Antonio Cezar e sua ingenuidade...
Enquanto o Filismino* não nasce, vou fazendo como a Márcia: e-mail na cabeça. E como o Juliano: escolhendo os melhores temas.
Desculpaí, eu sei q é um saco, mas uma mulher espera nove meses... espero que não seja prematuro.

palavra MERDA
pode mesmo ser considerada
um curinga da língua
portuguesa.

Exemplos:

Como indicação geográfica 1 :
Onde fica essa merda?

Como indicação geográfica 2 :
Vá a merda!

Como indicação geográfica 3 :
18:00h : vou embora dessa merda.

Como substantivo qualificativo:
Você é um merda!

Como auxiliar quantitativo:
Trabalho pra caramba e
não ganho merda nenhuma!

Como indicador de
especialização profissional :
Ele só faz merda.

Como indicativo de MBA :
Ele faz MUITA merda.

Como sinônimo de covarde:
Seu MERDA !

Como questionamento dirigido:
Fez merda, né ?

Como indicador visual:
Não se enxerga merda nenhuma!

Como elemento de indicação do
caminho a ser percorrido:
Porque você não vai a merda?

Como especulação de
conhecimento e surpresa:
Que merda é essa?

Como constatação da situação
financeira de um indivíduo:
Ele está na merda...

Como indicador de
ressentimento natalino:
Não ganhei merda
nenhuma de presente!

Como indicador de admiração:
Puta Merda !!

Como indicador de rejeição :
Puta Merda !!!!

Como indicador de espécie :
O que esse merda pensa que é ??

Como indicador de continuidade :
Na mesma merda de sempre.

Como indicador de desordem:
Tá tudo uma merda!

Como constatação científica dos
resultados da alquimia :
Tudo o que ele toca vira merda!

Como resultado aplicativo :
Deu merda.

Como constatação negativa :
Que merda !!!!

Como saudação teatral:
Merda para
você!!!.


Como classificação literária:
Êta textinho de merda

*Nome provisório

terça-feira, 18 de novembro de 2003

É issaê. Ver os fatos, encaixar no contexto e não se envolver.
Jornalista ou ciborgue?

Sei lá, mas os Correios continuam me dando uma vontade enorme de trabalhar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2003

Acho q esse é o primiro e-mail que a Márcia me mandou em todos esses anos de que gostei, logo, merece uma notinha:

Curriculum Vitae

"Eu já dei risada até a barriga doer, já nadei até perder o fôlego,
já chorei até dormir e acordei com o rosto desfigurado.
Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar,
já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,
já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora,
já passei trote por telefone, já tomei banho de chuva,
E acabei me viciando.
Já roubei beijo,
Já fiz confissões antes de dormir num quarto escuro pro melhor amigo.
Já confundi sentimentos,
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
já me cortei fazendo a barba apressado,
já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas,
já subi em árvore pra roubar fruta,já caí da escada de bunda.
Conheci a morte de perto, e agora anseio por viver cada dia.
Já fiz juras eternas,já escrevi no muro da escola,
já chorei sentado no chão do banheiro,
já fugi de casa pra sempre... e voltei no outro instante.
Já saí pra caminhar sem rumo, sem nada na cabeça, ouvindo estrelas.
Já corri pra não deixar alguém chorando,
já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e laranjado,
já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios,
já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso,
já quase morri de amor, mas renasci novamente por ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade,
já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol,
já chorei por ver amigos partindo, descobri que logo chegam novos e os
velhos sempre estarão aqui, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção.
guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:
Qual sua experiência?"

segunda-feira, 3 de novembro de 2003



"Deus não me deu muita dor
Pra eu poder assumir o compromisso
De sofrer com a dor que é das outras pessoas
De sentir o sofrer e sofrer com o que eu sinto

Deus não me dá sofrimento
E eu sofro de culpa por isso
E eu morro de amor pelas outras pessoas
E eu choro de dor pela dor que eu não sinto"

Pensador

É quando o sol se vai
caindo, sumindo, no entardecer
Que eu ganho coragem pra dizer meu ai
Quietinho, sumindo, no "é tarde pra ser"

Que eu penso nos dias
com o sol levantando, brilhando, gerando sorriso
Eu penso naqueles que ninguém vai deter
Crescendo, brilhando, não lendo o aviso
Crendo no lindo objetivo que é viver

Como aquele barbudo, riquinho poeta
Riqueza na alma, abraço agudo
Levando o que é santo, encanto profundo
Remando pro canto, remanso do mundo

Levando a mensagem, abrindo a cabeça
Adubando a mente pra que algo cresça
Encontrando no mar a beleza da vida
Pequeno, tão frágil, salgando as feridas
No surf ou na rima levando a mensagem
Ser feliz nessa porra não é só miragem

É olhar pros lados e não ver só o que quer
É sonho palpável, ser feliz tá aqui dentro
Queixando, só zoa, mostra sua alegria
Sorriso na cara, fazendo lamento!?

E vai dando essa lição de vida
Abra o coração, cabeça vem em seguida
Seguindo, sugando o que essa vida tem de bom
Procurando no que é grande, harmonia e comunhão

E, qual a surpresa? Achando o sentido
Pra seguir gritando, mesmo ferido
O segredo é não ler só o que tá na frente
Se liga no outro, alarga essa mente!

Nas ondas, no canto ou na capoeira
Ligando a alma, chegando à beira
Desse precipício que é ser feliz
Levantando e seguindo depois da rasteira

Você tá sozinho?
Tá todo mundo sozinho!
Juntando um casal, não tá feito um ninho!
Caça teu rumo, só faz o que quer
Não é só pra frente que vai o caminho.

Gabriel, com teu nome divino
Que a tua insônia continue servindo
Pra velar meu sono, sonâmbulo menino
Pra pensar num jeito de seguir caindo
Mas sem me arrastar, vou levar minha vida
Agradeço o fato de quebrar a cabeça
contigo que peita, encontra a saída
E "divide o sucesso como um prato de comida".

Se você não achou o texto enorme e leu até o final, saiba que é pro Gabriel, o Pensador (dã). O poema "Fé" é dele, e uma pessoa muito especial na minha vida me disse que era como se ele tivesse escrito pra mim. Adoro esse poema e essa pessoa. Beijos, Pam. Mas o texto também é pra Bob, que, embrenhando na nossa cultura, joga maculelê, encara a energia, que cresce amiúde até ser dividida. Pra todos aqueles que encontram aquela atividade solitária ou coletiva que é pro corpo, mas reflete na mente. Jogando a alma cada vez mais pra cima, eles tocam no céu, e se curam da vida. Essa vida que bate um pouco na gente, mas que é pra aprender a dar valor. Eu quero muito achar algo pra fazer que me dê também essa "escada pro céu".
Falô.

sexta-feira, 31 de outubro de 2003

pra você, que teima em não ler "Os Malvados", na figurinha lá em cima.

terça-feira, 28 de outubro de 2003

Pra eliminar essa figura que tá aí embaixo, cuja colocação aqui me causa arrependimento profundo, eu postarei:
ô figurinha fubanga!

A noite já transformou as sombras em meros adereços, os cães dominam o bairro onde todas as ruas inclinadas dão para o mesmo lugar. Subindo-se pelo caminho do meio, aquele em que o ônibus passa, há uma casa, junto à praça. Nela, mora um casal, 4 filhos. O pai é vidraceiro, os filhos são atores, djs, crianças. A mulher é só uma dona de casa. Uma mulher que dorme e acorda tendo preocupações com o suprimento na despensa, o que fazer no jantar, o que anda fazendo o primeiro filho, quando sai, às quintas. Ela não tem vida própria, ela não tem ambição. Mas ela aparece na janela, sem nenhum parente ao lado, pra olhar a rua. Não há nada pra ver, ninguém para vê-la. Olha pro céu, à procura de lua, e me faz pensar o que é que pode atormentar alguém tão simples. O tormento não é só humano, é o que faz de nós presa fácil pra qualquer deus.

Calçadão. Correria, noite. Uma música clássica chega até a Mister Moore. É o ensaio de um espetáculo de balé, ali, no segundo andar, em frente à drogaria Dia e Noite. Primeiro o solo do homem, com movimentos fortes e marcados. Em seguida, dançam sincronizados os dois prováveis vilões da história, com seus bastões estalando no chão, junto com a percussão da canção. Entra a mulher, seus movimentos leves, finos, estudados. O que as paredes da varanda tampam, eu vejo no espelho da parede inversa. Às vezes, até três imagens da mesma dança dão a impressão de uma companhia afiada como as da Rússia. No fim, a música diminui, o casal, que termina feliz, dança no chão, enroscando-se, quase se beijando, uma só criatura rastejante. A canção abaixa mais, e a cantina ao lado começa a irradiar outra: "Aqui pra ele, aqui pra ele, aqui pra ele, aqui pra ele, aqui pra ele." Ninguém vê nada, e o homem da pipoca da Getúlio fatura, em frente ao Palace.

Cigarros demais, nessa cidade. Deus nos livre de tanto lixo e chumbo.
A lua, ontem, tava meio deslocada. Parecia que ia cair.
Acho que, hoje, chove. Tomara.
Acho que já mascarou a figurinha... falows. Cuidado com o que dizem.

quarta-feira, 22 de outubro de 2003



E esse, que é do Mau Humor pra dar uma aliviada.
Uhn... almoço.



Achei que devia ser divulgado.
Te vejo...

domingo, 19 de outubro de 2003

É a poeira que ganhou liberdade nos minérios dessa terra que leva as almas da pessoas pras cidades. O vento e o ouro empurraram os olhares para os blocos acinzentados, onde todos compram. "Vende-se." Mas, de onde vêm tais riquezas, também ficam pessoas. Ficam mulheres, inválidos, crianças. E dessas pessoas nasce o povo das Minas.
O jeito mineiro vem das cidadezinhas, tímidas elas próprias, no meio dos vales. As cidades que crescem passando por mata-burros, pedindo licença antes de sair das vendinhas. É esse o cerne do que pensamos todos, mineiros ociosos dessa cidade. Nosso motivo e nossa maldição de só existir pra falar quando tem certeza, de não tomar partido antes de muita análise. De nascer e morrer indo atrás do mar, mas ter medo de ir pra longe, porque nós somos bicho-de-pé. No chão. Povo filho da puta, que sabe ser mexeriqueiro, que sabe ter compaixão.





É nas cidadezinhas que tem, como quintais, as serras, com seus boizinhos e cupinzeiros, que se empilham os mineiros. É lá que tudo começa, pra terminar nas metrópoles, onde a vista não alcança, muito menos as mãos e os bolsos. E é assim, sem ver, sem crescer, só continuando, que vai o nosso interior. As mulheres se casam, engravidam, têm netos. Os homens bebem, trabalham, constroem, se casam, separam, bebem, jogam truco e sonham com um paraíso, feito de concubinas cariocas, dinheiro e cana.
O interior se orgulha de suas águas, mas todos da cidade já enjoaram de seus magnésios. O interior é abençoado com a simplicidade das ruas de pedra e com a sua burguesia em carros importados. As carroças carregam o leite puro, sem batismo, para as casas. As crianças vão conhecer seus primeiros beijos nas praças e igrejas, percebendo, mais velhas que a cidade é pequena demais pra elas.
As árvores mais velhas são as mais bonitas, mas, nessas cidades, quem tem coragem ou lembranças ruins não cria raízes. Pessoas vão embora, somem por anos e acabam sonhando um dia poder voltar, fugir da correria e da ignorância desse povo carrancudo das capitais. É a alma mineira, que a gente teima em arrastar, mesmo não querendo. Fazendo o caminho inverso sempre, querendo que a gente seja pra sempre humilde, da natureza, perto do barro que criou as próprias cidades, as próprias pessoas.
Abençoadas as cidades desses cantos das estradas, com suas festas, com suas ruas que pararam nos anos 70, com seus chapéus e pingas boas, seus cigarros de palha, suas famílias poderosas e votos de cabresto. Que Deus reconheça a importância desse povo raquítico e empoeirado, que tem calos nas mãos e futuro pré-determinado. O destino das Minas é parar pra sempre aonde o vento faz a curva, dar um suspiro e voltar, porque já tá quase anoitecendo, e a sinhá espera em casa.





A liberdade, que veio tardia, a gente não sabe o que faz com ela.

quarta-feira, 15 de outubro de 2003

Estava eu, com minha hipocrisia de sempre, dizendo ao meu irmão, que tinha acabado de quebrar um fone de ouvido da minha namorada, a importância de assumir seus erros.
Ele vendeu seus card games cretinos, arrumou um dinheiro e me pagou.
Parabéns pra ele e pra mim.

Mas eu quebrei o rai da agenda eletrônica dele, que custa mais que uma noite com uma puta de luxo. Claro que eu escondi o troço dele. ontem, chego em casa e tá esse bilhete na minha cama.

Homero,

O Ski ligou pedindo o telefone do Jander. Para sua sorte peguei a agenda, e quando fui olhar o tel estava na língua élfica. Me pagarás a bateria ou agenda novas com juros. Bejin. O Lucas também ligou.

Argentino (extorquidor)

(amanhã conversaremos) hahahahaha

Agora eu sei o q querem dizer com aprender com os mais novos. E a lição é... pode quebrar tudo meu, se me emprestar seus objetos de valor.

sexta-feira, 10 de outubro de 2003

O meu rosto é daqueles curtos, como a Terra, nas descrições dos livros de geografia: formato circular, mas achatado nos pólos. O pólo de cima não está muito desmatado, o mato preto ainda cresce vistoso, porque eu não sou muito velho. É curtinho e meio ruim, mas eu não reclamo dele, que ele pode acabar se retirando.
Na testa, dois traços marcados, de tanto franzí-la. Testa de quem fica nervoso por coisas bobas. Testa de quem anda com a cara fechada pra ninguém perceber que tem um sorriso idiota enterrado no fundo.
Sobrancelhas, ou sombrancelhas, como eu gostava mais, bem desenhadas, mas sem nunca terem sido tocadas por qualquer paisagista.
Orelhas grandes, pra ser convincente quando fingir que estou escutando. Pra ecoarem frases amargas, direto pra memória.
Nariz pontudo, arrebitado, largo. Superlativo e com alma de sem-terra, invadindo território de outros órgãos.
Boca pequena, grossa, queixo protuberante, barba rala. Uma cicatriz do lado direito, um corte sem história. Orelha furada, possibilidade de novas inclusões. Só vou parar se começar a tombar pro lado.
Os olhos... nada de peculiar. Castanho escuros, o da direita um pouco mais fechado. Mas é por causa deles que eu estou aqui escrevendo sobre essa cara que alguns já conhecem, outros nunca repararam. Me peguei olhando pra eles, e percebendo que andam diferentes. Eles não mudam de cor, não há tiques novos, nenhum fenômeno da ciência. Só que me intrigam, não parecem mais meus olhos. Trazem com eles um brilho diferente, um olhar mais caído. Esses olhos estão é cansados, sem foco pra enxergar. Eles têm se metido muitas vezes onde não deviam, e não dão conversa ao que grita por atenção. Nem pro meu rosto eu olhava, há dias. Será vergonha? O que eles querem esconder, eu não sei. Esse olho matreiro, disfarçado, não tá mais escapando na revista semanal. Quer falar, me diz logo, porque o tempo tá curto. Desassossego, a gente mata no início.
O negócio é olhar pra trás, olhar pros lados, mas olhar pra dentro. Pelo visto, tem coisa nova por aqui.

Que falta faz uma câmera digital...

quinta-feira, 9 de outubro de 2003

Tédio é foda.

Dormir é bom.

Namoro salva.

Pelada faz uma falta...

Imagem não é nada, a não ser que vc seja uma universidade.

Acho que é só. Mais lições de vida marcantes, no próximo momento de folga (ou no reveillon, o que vier primeiro).
Essa semana tá sendo brava. A gente inventou de fazer um jornalzinho lá na faculdade, pra cobrir um evento onde a gente não poderia entrar. "Método Wally de infiltração". Sabe aonde é o encontro? Na minha faculdade...

Por conta dele, a semana tá sendo enooorme... Tô dormindo 5 horas por noite, gastando uma baba com ônibus, cansando a cabeça. Depois de muita correria, madrugadas escrevendo, saiu o jornalzinho na terça-feira. Com alguns erros, é verdade, mas mexeu na ferida dos cabeças da faculdade, e o diretor convocou a gente, pra aloprar sobre como a gente tava denegrindo a imagem da UFJF e magoando os organizadores do evento. O pessoal achou que isso eram argumentos irrelevantes, perto da falta de competência e propaganda enganosa. Eu achei que ia ficar muito chateado se tivesse que organizar um evento sem saber como e receber alfinetadas como recompensa...
Mas só percebi hoje. Aliás... o que mais me desiludiu foi ter ralado tanto e não receber nem um elogio do diretor. Pelo esforço, pela cara do jornal, pela idéia, pela comoção... até por ter perdido peso nessa semana eu aceitava. Num ramo onde tudo é direcionado para um objetivo, e os fatos nunca mostram o que aparentam, uma idéia com um objetivo mais puro, que seria a possibilidade de melhorar o ensino daquela bosta lá, deveria ser pelo menos incentivada. Assim como tentar organizar um encontro todo feito as coxas sem cobrar nada e sem experiência. Mas é isso aí: fortalecer esse lado de não saber aceitar críticas e seguir em frente, já que a idéia de largar uma profissão onde tanta coisa pode ser manipulada só ficou na cabeça por algumas horas...
O jornalzim tá comigo se quiserem ver. Desculpas ao povo que pediu ajuda nesta semana. Não tá dando nem pra respirar.

terça-feira, 7 de outubro de 2003

Tirando as pseudo-estréias, tá tudo indo muito bem.

Todo amor é igual. Todo amor é diferente. Todo amor te quebra no meio, e vc nunca mais volta a ser o mesmo. É fato curioso, e triste, e repetitivo, que todo amor, depois dos banhos de chuva e horas de conversa ao telefone, esfria. O amor fica, mas aquieta, sossega seus gritos furiosos e bonitos, até se esconde, às vezes. Ele pára, e a gente tem que andar atrás dele, porque amor é bicho vaidoso, que quer sempre ser surpreendido. Diante disso, desanimar é a atitude mais fácil e, por coincidência, mais comum. Mas, se vc corre atrás... Se vc corre atrás até ficar lado a lado com ele, ele te mostra a cara. E tá aí a beleza da vida. É uma cara bonita, que fulgura e tem sombras. é tão forte que, virando o seu rosto, vc já não consegue descrever o que viu. É como abrir os olhos pela primeira vez... Pode ser no sorriso que sai dos olhos da pessoa. Pode ser no choro por causa da despedida de poucas horas. Mas é assim que a gente convive com ele, na minha modesta opinião.

quarta-feira, 1 de outubro de 2003

Pequenas trovas dadaístas para decorar pêesses
Post conjunto: Logulelê-Araraponga

Perna torta: algum atraso
Olho cego: defesa alta
Mais um trago: morte lenta
Quando não sei onde dói: Caminho

Ps1: Wagner Montes só ficou famoso por causa da sua perna mecânica

Quando tem trovão cortando conversa
Quando o céu já se encaixou nos prédios
O melhor é destampar essa cabeça!
Tosse vem, sorrindo ou chorando

Ps2: chá-de-alho: isso sim é bom pra tosse

Não chora não, morena
Com vc chorando, como eu posso vazar?
Assim, com um pedaço meu ficando contigo
Na volta, inteiro, eu não posso chegar.

Ps3: O pior filho é o de gravidez psicológica

terça-feira, 30 de setembro de 2003

Isso sim é publicidade inteligente. Quem descobriu foi o Araraponga.

Propaganda de creme LUBRIFICANTE

segunda-feira, 29 de setembro de 2003

Opa!!! Alguém para me escutar.... como estou feliz!!! Daqui para frente não me sentirei mais só... hehe.
Que vontade de cume farinha....
Malungaê tá entrando na área, se derrubá é penalti...
mnbg,mdhbdmnb
Sucesso! Sexta Cultural 0800 é grande lembrança do editor.
Junte amigos desmiolados, uma figura altamente "zoável" na turma e um chegado no bar, e vc terá uma noite engraçadíssima. Nesse panorama, nem importa que as bandas do local sejam uma bosta.

Pérolas da noite

"Ô Homer, não vou roubar cerveja, devolve a mochila pro Danilo."

"Essa pinga é do Lobão? Passa no saco! Passa no saco!"

"Cadê o Luís?"
"Achei ele agora, tá lá num canto pegando a mulher mais gata da FACOM. O boêmio está de volta."

"O Lobão tá lá no ônibus, pensando 'eles adoram me fazer de otário'. "

"Ô trocador! Onde vai passar esse ônibus?"
"Sei lá, o motô tá doido, tá rodando dentro do Campus!!"

"Mas o Bunitu (companheiro Twyuraya) tá com os bagos todos cortados..."
"Caparam o Bunitu??"

"Mestre, so yo??"

"Lobão, vc é ridículo."
"Eu não sou o Lobão, porra!!"


Tudo isso por um realzinho só.

Fico eu aqui a matutar...

por que é que a gente dá parabéns pra uma pessoa, quando ela faz aniversário? Afinal, é um passo a mais pra cova que a gente dá, e que, pra amenizar o desespero, trás com ele a sabedoria (nem sempre) e a lombalgia (sempre). Isso deve ser uma invenção do tempo em que os homens morriam de velho aos 23 anos. O "parabéns" era por ter resistido mais um ano, e só seria dado efusivamente a partir dos 24. Aliás, meu irmão deduziu qual foi o diálogo para dar nome a uma banda de JF.
Como vai chamar a banda?
Boa pergunta...
Só... Vamos patentear. (rs)

Por coincidência ou não, um amigo meu faz hoje 24 anos. Seguindo a tradição antiga... parabéns. Que os anos passem sempre com histórias de vitórias seguidas. Falô, Thiago.

Ah! A festa foi boa, lá em Mathias Barbosa, mas a chegada em Juiz de Fora foi o melhor de tudo. Fantasmas exorcizados e discussões físicas. Já tô com saudade.

quinta-feira, 18 de setembro de 2003

Se, hoje, sua mãe dissesse que é sempre errado mentir, mandasse pensar só no bem dos outros, e que o melhor revide é ignorar seus inimigos, vc acreditaria?

Se, hoje, o padre dissesse que jesus morreu por nós, vc duvidaria da história? E se ele dissesse que o homem ficou puto com aquele massacre contra ele e tocou tudo pro foda-se, indo viver como marceneiro ao lado de Maria Madalena, vc duvidaria com a mesma intensidade?

Se te dizem que a vida é só pra se aproveitar, que a juventude passa e é bom ter vivido, porque vc não muda seu jeito de agir?

Se, quando vc olha pra dentro de si, vê coisas que não deveriam estar lá, mas sabe que são verdade, se pergunta o que fazer, bem-vindo, mermão, vc entrou para o incrível e louco mundo dos adultos. Agora é papo findo.

Parabéns, boblane e doido...

terça-feira, 16 de setembro de 2003

O meu medo se justifica, porque, quando eu te vejo, viro do avesso... tristeza vira alegria e alegria... não muda. E isso não é uma reação que acontece com qualquer bom dia que me dão. Uma modelo e, nem mesmo um caixeiro viajante, não conseguem me causar tal estranhamento. E é por isso que vc me conhece. Porque pretendo me dar, até vc enjoar e pedir uma salada, pra variar. E se, às vezes, parece que vou sair de mim, é porque, aqui dentro, o espaço que vc exige aumenta cada vez mais. Aí sobra pouco espaço pros outros, e eu nem ligo. Abro um sorriso e espero mais um "bom-dia". Seja ele alegre ou triste... porque amor é inconstância, móbile que ignora a gravidade, "inciência", poesia. Nem sempre o belo é o bonito.
Segundo o Santiago Rosseti, um blog com figuras deve ter o satan goss para ser considerado sério, então, tá aí...
Se quiser alguma ficura, pode fazer comentários pedindo.
Ah! e perdoem a tosqueira... estou fazendo esses trecos no paint! Vou ver se descolo um programinha gráfico melhor...

segunda-feira, 15 de setembro de 2003

Quem não acreditava que eu ia conseguir, toma cuidado quando cruzar comigo pela rua...
Vou tá mais ou menos com essa cara.


Brincar com figurinha é muito maneiro



Se eu não fosse modesto, me daria parabéns. Não pelo bom gosto das imagens, mas ter conseguido postá-las rs

domingo, 14 de setembro de 2003

Nada!!
e...
testando essa bosta...


sentados: eu e casca; em pé: bedel e tião
teste, teste...


porra! Eu ando, ando e não consigo linkar sem usar endereços alheios...

quinta-feira, 11 de setembro de 2003

Sempre me perguntei como deveria se sentir um judeu circuncidado. Hoje posso dizer: É muito ruim!!! Não dá pra entender porque os homens, de um modo em geral, nascem com necessidade de algumas pequenas correções, ainda mais quando não fazê-las não incomoda nada. E daí, só estou escrevendo esta minha triste experiência apenas na tentativa de me entreter e me esquecer do incômodo que é ter uma parte tão sensível quase que mumificada. Bem daqui a uns 5 dias eu já devo estar andando de perna fechada, e quem sabe, daqui a uns 40 dias, eu já devo estar bom e até possa jogar futebol, andar de bicicleta, não molhar o banheiro todo, enfim, coisas normais, do cotidiano.
Socorro, porra.
Weboema

A tarde ganha vermelho
Tem muita coisa que eu não evito
Sexo, saudade, amanhecer
Envelhecer, mágoa ou vômito

Sob a desculpa da física
imponderáveis ciências, opacos véus
Pra travestir minha preguiça
Vale até a morte de Deus

E dizem: faça a vida valer a pena
E voltam a preencher memorandos
E nem esse teclado colabora
Ih! É a minha cabeça falhando!

terça-feira, 9 de setembro de 2003

Se água matasse sede
Eu não teria que tomar
Mais de um copo na minha vida
Quanto mais dois litros, todo dia

Se existe rua sem saída
Por que alguém se mete lá?
Já não sei se é melhor moradia impedida
Ou paredes de vento, mas ter pr'onde andar

Do que vale escrever, lutar, desistir?
Se, ganhando ou perdendo, recomeço é o destino
Não ando convencendo nem a mim mesmo
Em qual mentira você prefere acreditar?

E o diabo é o jeito que tudo toma
A água é gostosa, sem nem gosto ter
Rua sem saída é sempre mão dupla
Por quem vc acorda, é quem te fez sonhar

(doce seria o sono sem sonho, porque por minha causa, eu não acordaria)

terça-feira, 2 de setembro de 2003

Do Flávio Almeida, que tá sempre por aqui:

Uma moça simples

cismou de me seguir

julgando-se capaz

de me entender

(e mais) me amar

coitada

é perigoso até enlouquecer

mas louca ela diz que é

e deve estar

pois para comigo ficar

e nisso sentir prazer

louca ela só pode ser

É engraçado acordar com muitas dúvidas na cabeça e perceber, durante o dia, que elas se resolvem sem nem precisar de ajuda. É quase que "soluções (nem sempre) inteligentes para seus problemas sem auxílio humano" - um programa para vc e toda sua família. Interface psicodélica e obscura para tornar mais interessante a escolha de botões como saudade ou raiva. Ah... sei lá... eu disse que tava meio que com saudade de informática.

Como essa porra ainda tem alguns leitores, vai o jabá: o quinteto sinopse(lucas, dudu, ski, doido e ash) vai tocar no espaço mascarenhas na terça que vem, dia 9. Três merréis e um pouco de jazz. Aparece lá. o ensaio tava maneiro, pelo menos.

Já que o darso lê isso ainda, para minha surpresa, a gente arrumou um gramadinho gratuito pra brincar, só falta montar time e horário pouco frequentado. Se quiser... mimimimi

vejamos... acho q tá bom, já atualizei essa merda. Ê estréia demorada...

quinta-feira, 28 de agosto de 2003

Aêêêê... tô postando aqui do trampo novo. Às vezes, aqui dentro, fico com uma puta saudade de informática rs. Vai saber o que se passa naparte do meucérebro responsável pelo trabalho... eu não tenho muito contato com ela, não sei direito.
Acho queo que mais irrita minha esponja encefálica é o fato do trabalho ser voluntário, o que não faz nenhum bem para várias partes de mim: o ego, as pernas (porque venho a pé e fico moído), o bolso... Tem erro não. Se for bem e abrir uma bolsa, eu passo a ganhar bem. Pouco. Quem sabe aqui eu descubro se gosto de Farmácia ou Fisioterapia.
Até...

quarta-feira, 27 de agosto de 2003

Desculpem-me por ter desaparecido por um tempo, é que eu andei viajando de caminhão esses dias!

Terrível sono


A vida é dura e cansativa,
Sua mente se perde em meio a tantos erros,
Seu corpo se torna pesado,
Seus olhos não querem mais ver,
E se fecham para descansar.

O sono o faz descansar,
Mas faz você perder a noção,
Do tempo, do erro, do medo.

Seus olhos se fartaram de ficar fechados,
E seu corpo de pesado só tem a consciência.
Você já não quer mais dormir,
Mas descobre que também não quer acordar.

Seus olhos se abrem,
Mas você não tem mais forças para acordar,
Seu corpo não levanta,
E você acha que ainda está cansado,
E volta a fechar os olhos,
E volta para seu sono.

Terrível sono,
Já lhe sugara todas as forças,
E você nem percebe,
Que quanto mais você dorme,
Mais você terá sono.

Novamente você desperta,
E seus olhos já inchados de tanto dormir,
Não o deixa ver direito,
Que já passara muito tempo e já é tarde.
Mas seu corpo já sem forças,
Lhe pede para dormir,
E seus olhos se fecham novamente.

A cada vez que seu olho fecha,
Você fica sem forças para se levantar,
E sem forças volta a dormir,
Sem perceber que o tempo passou,
E você não o viveu.

Os seus esbugalhados olhos já se confundem,
Entre estar sonhando e estar acordado,
E o seu já adormecido corpo,
Pede para levantar mas não tem forças,
E permanece ali parado,
Se tornando uma prisão para quem dorme.

A necessidade de se levantar aumenta,
Junto com ela o sono escravizador.
Você tenta numa luta inconstante,
Estender o braço que não mais responde,
E espera que alguém o levante.

Tenta gritar e não consegue,
Nada mais do que uma única lágrima,
Sai dos seus úmidos olhos.

O arrependimento de ter fechado os olhos,
Para o tempo, para o erro e para o medo,
Consome de dor a sua consciência.
Mas você está cansado e fecha os olhos.

E essa angustia se mistura a um estranho conforto,
E o medo de não conseguir mais abri-lo,
Cresce assim como o cansaço mórbido,
De alguém que buscando refugio,
Acabou se escondendo da vida.

Porém a cada vez que seu olho se abre,
E você se levanta mesmo sem forças,
Em vez de voltar a dormir,
Vai perceber que o tempo passou,
E você o viveu, cada minuto dele.

segunda-feira, 25 de agosto de 2003

Nada, nada, deve ficar como está, se a gente não quiser.


Só pra que você ou eu nunca esqueçamos disso. Coragem, força, e vontade. Sempre.



Vote em mim.

terça-feira, 19 de agosto de 2003

Não era bem um sorriso que eu queria te causar. Mas até que uma gargalhada cairia bem. Não? Então me devolve as fotos e o poema, porque essa cidade tem muita gente, ainda.


Tamos aí, de volta, porque o frio hoje foi menor. Sentindo meus dedos, fica muito mais fácil digitar. Gostaria de contar como foi minha entrevista na assessoria da Facul. Então, se quiser saber, envie R$0,25 para o meu endereço, e receba, em sua casa, sem qualquer custo adicional, o dossiê inteiro e leve, inteiramente grátis, uma faca jinsu e seis livros do dr. Lair Ribeiro rs


Tô sentindo falta do pessoal. Aquela turma de sempre, que gostava de cuspir do ônibus, quando ia pro futebol. Aliás, o futebol era sempre bom. A gente sempre bebia muito antes do jogo, pra no outro dia, perguntar quem tinha vencido o jogo pro Bedel, que tinha que tomar remédio controlado e não podia ficar de porre. Ouvi dizer que o Bedel agora é cambista no Pacaembu, tá casado, só tem um pulmão. Ele sonhava ser delegado, e achava que ia conseguir isso dedando os meninos que fumavam pros pais deles. Uma vez o Arthur e o Tião ficaram tão putos que fizeram ele fumar dois maços seguido. O moleque ficou azul, depois verde, depois vomitou, e aí voltou a ficar azul. Quando todos pensavam que estava na hora de arrumar as trouxas e fugir, já que ele ia contar pra todo mundo, o Bedel aparece fumando uma cigarrilha preta e fedorenta. "Quem sabe assim ces param de me chamar de Bedel." Por um bom tempo, funcionou. A gente chamava de Fidel.
A gente vivia junto. Ficava correndo dum cachorro do vizinho do Casca junto. Estudava junto, porque eu e o Leo éramos "mais burros q a mãe do Uéslei". Acho que só escrever Uéslei já mostra como isso era um insulto pesado. Mas, continuando, nós brigamos juntos, com três moleques maiores, que queriam bater no Bedel. Sangramos juntos, nesse dia, se bem me lembro. Fomos juntos à cachoeira do Bananal, e roubamos os números duma casa na fazenda ali perto só pra formar a data na rocha da queda d'água. Ficou faltando um 2, e a gente rasgou o número do short dum primo do Bezerro. Seguramos o moleque juntos, porque ele não queria colaborar e ele xingou a mãe de todos nós, juntos. Teve uma época até que a gente dizia que o Arthur e o Casca tavam dormindo juntos.
Separados mesmo, só quando a gente ia procurar pelas meninas. Tirando o Arthur e o Casca, que continuavam juntinhos até nisso. Um dia, o pobre Bedel disse que "esses dois são mesmo é baitola." Só não ganhou mais uma surra porque a gente ria tanto que os dois ficaram com vergonha de reagir. Fugiram, lado a lado, e o Bedel gritando "sai voando, mariposa!", causando mais gargalhadas. Acho que foi a noite mais feliz da vida do garoto. O Tião namorava uma menina só, no portão dacasa dela, coisa que ninguém fazia há pelo menos vinte anos. Ouvi dizer qe eles tão casados até hoje.
Meu melhor amigo era o Lito. A gente colecionava pedaços de árvore, tentando montar um "fóssil de árvore mutante, que existia no tempo dos dinossauro." Um dia eu disse que gostava da irmã dele, e ele saiu no braço comigo. A gente brigou até cansar e, no fim, ele disse que foda-se, eu podia comer a irmã dele, mas ele ainda ia faturar a minha mãe, de vingança. Naquela época a gente não sabia nem o que entrava onde, mas não tinha um que admitia isso. Eu disse que ele tava sendo legal de deixar, mas eu não ia perder a amizade dele pra comer uma puta qualquer. Lutamos mais uma meia hora.
Esses caras que foram a alegria da minha juventude, tudo aquilo que eu me lembrava de bom, foram sumindo, uns pra faculdade, outros pra lida direto. Tinha sempre um ou outro churrasco, onde a gente se encontrava. O Bezerro cozinhando seus iguais e o Tião levando montinho enquanto tentava dormir, mas eles também acabaram. A gente ia acabar se matando mesmo, ou pior, podia se encontrar de novo e não ter do que falar. Acho que amigo é assim mesmo. Vão uns, vêm outros. Mas... eu sinto uma puta falta deles, às vezes.

E olha que eles nem existiram.

domingo, 10 de agosto de 2003

Conversinha de órfão pra cretino

-- Vc deve ser muito feliz, Homero.
-- Por quê?
-- Porque vc tem o nome do seu pai, e, até devem te confundir com ele, por causa disso. Eu não tenho o nome do meu pai. Meu pai chamava Ary.
-- ...

-- Matheus, vc deve ser feliz.
-- Por quê?
-- Porque vc é a cara do seu pai. Ainda vão confundir muito.
Feliz dia dos pais.

-- Mas eu ainda não sou pai...
-- Mas quero que vc tenha um dia feliz.
-- Então é feliz dia dos filhos. Feliz dia dos filhos, Homerim!
-- Pra vc também. Dá cá um abraço.

deixa eu postar a conversa da parte da tarde:

-- Como vc chama, mesmo?
-- Homero.
-- Ah, é! Homerim?
-- Fala, Matheus.
-- Vc podia me dar a bolinha branca pra eu jogar sinuca?
-- Se vc acertar esse taco nas minhas costelas de novo, não.

domingo, 3 de agosto de 2003

Queria agradecer aos elogios Marcinha, fiquei feliz pelo que disse. Estou começando a ter coragem de escrever o que penso neste blogger.


Fatos, fadas e fábulas


Em um mundo complexo e histórico,
Exemplo de ironia e esperança.
Tentamos viver sem sucesso,
Conseguimos sobreviver ao absurdo.

Neste mundo complexo,
O complexo é seguir um caminho.
Miríades de anjos nos observam,
E não compreendem por que complicamos as coisas.

Caminhos e opções se multiplicando à nossa frente,
Enchendo nossas vistas de maravilhas,
Que não podemos, não precisamos ou não queremos.
Porém a hipnose está sendo feita,
E quem é você para escapar dela?

Podemos ser como zumbis nesse mundo histórico,
Onde faremos tudo para deixarmos nossa parte.
Por que ser assim, se não existe história futura,
E o que houve é passado?

Senão o que seremos ao morrer,
Mais um num túmulo destroçado em um triste cemitério.
Ou mesmo só mais uma memória nas lembranças de alguém,
Que chorará ou sorrirá ao se lembrar de nós.

Por que esperar por milagres ou fadas?
Por que jogar a responsabilidade nas costas de outros?
Não podemos nos omitir a ponto de acharmos vítimas,
Não, não somos vítimas, mas assassinos de nós mesmos.

Queremos soluções e queremos agora,
Porém se alguém lhe mostra o caminho não o segue,
Ou se desvia por outros variados caminhos que se seguem.
Não se responsabilizam e não viverão.

Milagres já não existem,
Porém é mais fácil seguir ou acreditar no que dizem,
Pois as palavras hipócritas lhes endossam os ouvidos.
Não há fadas, não há fábulas, só fatos.

Fatos cruéis, porém fatos,
Que compõem este mundo onde tentamos viver,
Porém não fazer parte dele, para não ter o mesmo fim,
Ou melhor, para não termos fim.

quarta-feira, 23 de julho de 2003

Ao Logulelê

É, parece que você ainda esta aí amigo. Eu cheguei a pensar que você não existia mais. Não sei porque, mas apesar de não termos os mesmos princípios, não concordarmos com quase nada (a não ser por torcer para o São Paulo), não consigo, não consigo deixar de gostar de você meu velho, apesar de tentar às vezes. Cinceramente eu gosto de algumas coisas do que você diz (também acho os Los Hermanos a melhor banda que surgiu ultimamente). Porém realmente detesto muito augumas coisas que você faz, e como você pensa sobre elas, contudo tenho coragem de dizer isso, e talves seja somente pela minha franquesa, que é meio falha, que ainda tenho seu respeito, (se é que tenho, acho que sim). Nunca mude pelos outros, mas não pense que não mudar seu jeito significa atitude, nem sempre significa. Bração meu amigo.
Olhos cansados


Pensei em dormir para nunca mais acordar,
Me refugiar nas trevas da tristeza,
Procurar no vazio minha solidão,
Fugir do meu amor pra poder sofrer,
Ficar inconsciente pra não mais chorar.

A pressão de uma sociedade decaída,
Aumenta em meu peito a dor,
Fazendo minha carne enrijecer,
Me tornando frio como uma estátua,
Isolada num abismo,
Coberta pela penumbra fria,
Como beijos sem amor.

Sorrisos pálidos regem minha felicidade,
Deixando nublado meu céu,
Seco meu oceano,
E encharcando meus olhos.

A tristeza vem como os sons de uma harpa,
Cintilando as estrelas cadentes,
Que no meu céu já não existem,
Se tornando como as lágrimas,
De uma lagoa congelada.

Minha voz se torna como vento,
Que congela os ossos e dói.
As palavras cantadas são perdidas em meio aos segundos,
E parece nem ter existido em meio a tantas lamurias.

O mito de um anjo caído,
Me persegue todo o tempo,
E escurece o céu, congela as águas,
Torna meu mundo vazio,
Transforma meu vazio em um mundo.

O perdão não dado sangra a alma,
Penetra como amor e fere como paixão,
Sufoca como a dor e entristece como a solidão.
Porém meu petrificado coração não quer sentir,
Chegando a me iludir fingindo não existir,
Mas sei que existe, sei que não morri por dentro.

Minha nobreza tenta duelar o mal,
E chega a se curvar e a temer,
Mas ainda restam as lágrimas de alguém,
Que anestesia a dor e me permite resistir.

quinta-feira, 17 de julho de 2003

DE ONDE VEM A CALMA
(Marcelo Camelo)

A
De onde vem a calma daquele cara?
D
Ele não sabe ser melhor, viu?
A
Como não entende de ser valente
D
ele não sabe ser mais viril
Bm E
Ele não sabe não, viu?
A F#m
As vezes dá como um frio
Bm E
É o mundo que anda hostil
E A (A7+ A)
O mundo todo é hostil

A
De onde vem o jeito tão sem defeito
D
que esse rapaz consegue fingir?
A
Olha esse sorriso tão indeciso
D
Está se exibindo pra solidão
Bm E
Não vão embora daqui
E A F#m
Eu sou o que vocês são
F#m Bm
Não solta da minha mão
E
Não solta da minha mão

Ponte:
e-----------------------------|
B-----------------------------|
G-9s11--11-11-11--9-----------|
D-9s11--11-11-11--9--7--7--7--| 2x
A-7s9----9--9--9--7--7--7--7--|
E--------------------5--5--5--|

e----------------------------------------|
B----------------------------------------|
G--4--4-4--6-7--7---7--7-7-8-9--9-9-9-9--|
D--4--4-4--6-7--7---7--7-7-8-9--9-9-9-9--| 2x
A--2--2-2--4-5--5---5--5-5-6-7--7-7-7-7--|
E----------------------------------------|
*a sequência toda da ponte é repetida duas vezes.

Ponte 2 (tocada 4 vezes)
e----------14------------|
B-------------14----14---|
G------14--------14------|
D------------------------|
A--12--------------------|
E------------------------|

A G#º
Eu não vou mudar não
F#m
Eu vou ficar são
D
Mesmo se for só,
Bm
não vou ceder
A G#º
Deus vai dar aval sim,
F#m
o mal vai ter fim
Bm E
e no final assim calado
E Bm E A
eu sei que vou ser coroado rei de mim


PS. Tablatura é o latim no ditado deste analfabeto
Tá. Eu gosto de jazz e blues e acho o Los Hermanos a melhor banda que surgiu ultimamente. Eu não vejo graça em forró e pergunto o sentido de andar com roupas arrumadas. Eu bebo pra esquecer, apesar de achar uma fraqueza beber. Eu me pergunto e pergunto pros outros onde está a diversão em ver pegadinhas que denigrem a imagem dos outros. Eu acho que o Jô devia dar um tempo da TV porque ele tá caindo na própria fórmula.
Eu gosto, e muito de ler e dizer o que eu achei do que eu li, pra ver o que os outros pensam, e me desaponto quando não consigo conversar sobre isso. Meu sorriso exige mais do que uma mera careta do Jim Carrey. Eu fumo cigarros mentolados. Gosto de capuccino enquanto converso no frio dum café em agosto. Eu tenho sempre uma visão que pod emudar sobre um assunto, se vc for bom o suficiente pra me convencer. Eu sonho ser um escritor porque não jogo bola muito bem.
Eu zôo os pagodeiros e seus passinhos que eu não sei fazer. Eu reclamo do posicionamento dos meias do meu time sem nem saber calçar uma chuteira. Eu volto triste dum lugar onde todos riram muito e se divertiram, e as vezes até gosto disso. As patricinhas me dão nojo, e eu nem conheço muitas delas. Quando o pessoal vai pro carnaval e volta com dezenas de histórias, eu penso que chorei com meus amigos e acho que tenho muito do que lembrar. Eu sou assim, e me colocar num grupo com as mesmas características não é a chave que você procura pra me entender.
Algo do que eu disse me agrada, e muito disso é errado o suficiente pra me fazer querer mudar. Então eu tento. Eu corro todo dia das armadilhas que eu preparo. Eu não gosto de repetir conversas, porque eu já passei por isso. Eu bato no peito com ódio do que se repete, mas o grito não tem glória, porque meu coração só começou a gritar comigo faz pouco tempo. Minha alegria de viver se esconde fundo o suficiente pra só aparecer de vez em quando. Mas como eu quero rir sempre, eu finjo. Tudo pra crescer como pessoa. Tudo meio engatilhado até eu saber usar esse corpo direito, e você não vai estragar isso tudo. Se vc pôde previr esse post, foda-se! Eu não tô mais interessado no que vc acha, porque isso é o que eu sou, e mais do que vc, EU tenho que conviver comigo o dia inteiro. Não é essa idéia torta do que eu sou que vai me derrubar. Palavra que não. Não vai ser mole, mas eu te devolvo as cusparadas com um sorriso.
METIDO A INTELECTUAL É O CARALHO!

quarta-feira, 16 de julho de 2003

Incompletos nesse mundo

Quantas lágrimas desperdiçadas com o sangue derramado,
Num altar repleto de corrupção transbordando hipocrisia em seu seio.
Nas veias dos mortais ascende essa imperfeição,
Na mente dos imperfeitos some qualquer perdão.
O errante se mancha com sangue sujo,
Na tentativa de salvar seus erros da condenação de suas consciências.

As veias já corrompidas necessitam do néctar venenoso,
Presente nos olhos dos incrédulos,
Para se entorpecer e não mais ver,
Para não fechar as feridas em sua carne,
Para fingir não saber das mentiras que conta ao seu próprio peito.

Inocentes já se aproveitam da ignorância,
O mundo já parece atraente,
O peito ensanguentado não dói mais,
Um flácido coração já não bombeia,
E a falta de ar nos pulmões parece confortar a infinita dor,
E o cruel medo de morrer se torna o estimulante,
Presente nas veias dos desesperados.

A morte então parece ser a melhor saída para os covardes,
Que profanam em dizer que não tem força para mudar,
Quando não tem coragem ou quem sabe uma insana vontade,
Já que não sabemos se é melhor ser alguém melhor,
Já que muitas vezes não sabemos ou não lembramos mais,
O que é bom ou mau, ou se é bom o mau.

segunda-feira, 14 de julho de 2003

Nota do Editor

13 de julho... dia de São Bento.
Acordei com minha mãe dizendo que a manhã em que eu nasci era como a de hoje. Vinte anos atrás, o tempo era o mesmo, quando nascia mais um varão. Tão repetitivo quanto a própria mania de nascer. Só sei q, diante do casório da minha irmã, não tive nenhuma surpresa quanto aos que foram me prestigiar e algumas surpresas quanto aos que não foram. Tudo bem, é muito bom poder dividir os amigos entre os que te dão um abraço apertado e um caderno com motivos elementais e os que se lembram de mandar um cartão. Ou não.
A casa já foi meio diferente sem a Karina, que aliás, ligou pra dar os parabéns. Sentindo as diferenças, fiquei o dia inteiro parecendo um "artista" "flagrado" pelo "Arquivo Confidencial", do "Faustão" (rs). O dia inteiro tendo lembranças e vontade de chorar. Sei lá, mas no fim do dia, o balanço foi muito mais positivo, porque eu tive a minha melhor amiga ao meu lado. O aniversário, o casamento, o ano... Tudo tá muito melhor com vc, Dan. Eu queria agradecer de novo, não fica puta não... :-P Te devo um dia de felicidade absoluta. Pode cobrar.
Aniversários nunca são muito bem vistos por mim, apesar de adorar o dia 13 de julho, em si. Esse foi uma exceção muito boa e bem vinda, talvez por isso justifique-se a viadagem de ficar chorando toda hora. Obrigado a todos... A gente se vê, mesmo que vc não queira.

p.s.: Ah! Agora vc só pode me dar o CD novo do RadioHead, porque o do Los Hermanos eu já ganhei!

terça-feira, 8 de julho de 2003

Se vc acha que o OCinC tá meio parado... entre menos na net

Estamos esperando a estréia da primeira poetisa entre esses porcos sujos de tinta. Que ela venha e faça jus à grande responsabilidade que é escrever neste veículo.
Hipotermia, nunca mais! Morte aos IRContros! Viva a fogueira de São João!
Sempre olhem pra dentro das coisas. é a melhor maneira de perceber o que está ao redor. (essa foi pra não ficar sem a profecia cretina diária)

Se vc me conhece e gosta de mim, vá ao casamento da minha irmã, no dia 12, igreja da Glória, às oito. Depois a gente vai beber muito...

quinta-feira, 3 de julho de 2003

Encontrei uma poesia antiga minha. Esta eu fiz quando tinha uns 15 anos e mudei alguns versos aos 16. Não me recordo ao certo o que queria dizer quando a escrevi (se é que naquela época eu me preocupava com isso) mas ela é uma das minhas favoritas. Pena que ela perdeu o concurso de Argirita!


Recordações do que virá

Sou um pobre mortal,
Minha pobreza é na tristeza dos outros,
Minha riqueza é na felicidade de alguém.

Sou o estrago de um furacão,
O vendaval que cessou.
Sou o céu que está soterrado,
E o mar que secou.

Quero materializar o abstrato.
Ter a sabedoria do sábio ignorante.
Quero alcançar o que está atrás de mim,
E ser a respiração do cadáver.
Quero crescer para ser o mais baixo de todos,
E ser tudo que nada teve.

Quero minha estrela,
Negra e escura.
Minha noite é ensolarada,
Do mesmo modo meu coração é feliz.

Quero recomeçar o fim.
Ver o que enxergam os olhos do cego,
E ouvir assim como o surdo,
As idéias ditas pelo mudo.

Vou odiar meu amor,
Quando só o tiver por mim.
Vou amar esse ódio,
Por livrar-me da hipocrisia.

Vou mentir sobre a verdade,
Para que não descubram em mim,
Fraude a que contrariar,
E nem verdades a temer.

Vou ser impaciente com a minha paciência,
Pois minha pressa é vagarosa.
Serei a presa da minha coragem,
E o caçador dos meus medos.

Não entendo minha duvida,
E duvido sobre aquilo que tenho certeza.
Sou indeciso quando tenho que decidir,
E decido o que serei, o que sou.

quarta-feira, 2 de julho de 2003

Infinito

Não sei qual é a distância do infinito,
Nem se há motivo a perseguir,
O fim de uma estrada que nem sei se existe,
Nem vejo o início.

Meus olhos imperfeitos,
Não me bastam para o conforto,
Que traz a ausência da dúvida,
A comodidade do presente.

Não me sustenta a vida,
Ficar estagnado em meio ao nada,
Estar num vácuo de pensamentos,
Me prender fora do universo.

Não me é válida a esperança,
Fraudada, obsoleta, inexpugnável,
Revoltante pela própria idéia de esperança,
Deturpada por uma sociedade fadada à extinção.

Não, não me cabe aceitar,
Os padrões e as regras deste mundo,
Viver como os outros,
Não sou como os outros.

Não sei qual é a distancia do infinito,
Nem preciso saber,
Pois não é pelo infinito que vou,
Se é que vou a algum lugar.

terça-feira, 1 de julho de 2003

Esta eu realmente escrevi hoje, durante a aula de manhã. Há! Do que interessa isso, nem eu entendi o que escrevi!

Dejavie

O que se pode dizer do amanhã,
Se o hoje ainda não se definiu.
O que procuro não sei se existe,
Mas se existir sei que não encontrei.

O que fazer com o perdão não dado,
O abraço não sentido,
O beijo sem amor,
O sorriso sem alegria.

Tristes páginas sem poesia,
Muitas palavras sem sentido,
Várias notas sem melodia,
A mais fina música ao ouvido insensível.

Lua cheia sem noite,
Noite negra sem raiar do sol,
Um gélido sol num límpido céu,
Uma simples lágrima em meio a tempestade.

O que se pode dizer de hoje,
Se ele ainda não se definhou.
Quando o amanhã será só mais um ontem,
que ainda não se passou.
Sangue em lágrimas

Doce mel que escorre em meu peito,
Penetra a carne suja,
Me inebria com seu aroma,
Me seduz com o gosto amargo de seu néctar.

Sangue impuro que escorre dos meus olhos,
Obcecados pela morte da dor,
Num instante em que a vida é só dor,
E o único alívio é não viver.

Minha carne pede o descanso,
Meu coração o conforto da inércia,
Minha mente o alívio da morte,
Que cessa o único pesar que é viver.

A carne imunda nem mais serve de alimento,
aos vermes, ao medo.
A podridão já consumira meus ossos,
O sustentáculo de uma alma decaída.

O perdão se esconde nas trevas,
Onde os impuros buscam anestesia,
Devorando sua carne crua,
E lambendo seu sangue verozmente.

É onde vejo minha língua rubra por mentiras,
Meu coração negro por tristeza,
Meus olhos manchados de sangue inocente,
Vendo um macabro mundo sem inocência.

A terra como um pálio esquenta minha gélida carne,
E como miríades de navalhas penetram minha pele,
E retiram do pulmão todo o ar,
Poluindo meu já poluído sangue.

Minhas entranhas dilaceradas,
Não suportam mais as convulsões constantes,
E entram num suicídio lento,
Sentindo a cada minuto a libido provocada pela dor.

No epitáfio do meu lar os corvos festejam,
A morte de um ser que não viveu,
Que deplorou sua grotesca vida,
Por odiar o amor.

domingo, 29 de junho de 2003

Palavra deveria ser como o susto que alguém dá, de trás duma porta, naum como o vento que só arranha o vidro... e se o que eu disse não fez sentido pra vc, era exatamente o que eu queria dizer...

sábado, 28 de junho de 2003

Manifesto egoísta

Sonhei contigo na noite passada
como foi que vc previu?
mas vc nem veio perguntar
vai se corrigir e ser mais vil?

Não é nem obrigatório
mas podia prestar atenção
se se entrega por inteiro
sabe bem o que é a maldição

maldição de querer bem
todo mundo queria ter
por isso é preciso cuidado
o que sempre carrega é fácil perder.

sexta-feira, 27 de junho de 2003

Peço perdaum pela falta de acentos e a nova recorrencia no erro de escrever sobre naum escrever. Espero ser a ultima. Abraços...

Quatro dias. Horas demais para conviver com alguem. Pernas demais numa rua, onde fica minha janela. Por sorte, eu creio...
O tempo exato para dizer, numa hipotese no minimo remota, tudo o que venho pensando. Mesmo conseguindo algum voluntario (talvez no corredor da morte ou algum redator do Zorra Total), perderia, durante o processo, a vontade de falar. Mas seriam dias interessantes. Uma faca pendurada no meio da sala onde estariamos eu e minha cobaia faria a coisa ficar ate engraçada. Mas assim, com certeza, naum seriam quatro dias de convivio.
Quatro dias... No carnaval, o tempo onde dezenas de historias se criam, todas com começo, meio e fim. Bons trunfos para um conversa de bar. E minha historia? Levaria aonde? Diante deste texto, o palpite seria o inferno. Ou entaum, para as mesmas risadas que as historias de pierrot. Por que naum?
Ate vejo o processo. O primeiro dia com meu novo amigo seria uma enrolaçaum confusa da lingua. Tentaria falar de qualquer maneira, e naum adiantaria nada. Me perceberia entaum como quem, um dia, acorda cego. Tentando reencontrar o que, antes, era taum comum, mas taum comum, que nem se percebia: A luz. O segundo dia seria uma especie de torpor. Uma espera desanimada para que tudo voltasse a sua simplicidade anterior. Cansada, a esperança seria fina como um cordaum. Varios fios guiando o fantoche, mexendo minha boca, algumas falas ate com o som de verdades.
Entaum, a "queda". Um dia de gravidade inversa, levando-me a cair nas profundezas do espaço, cada vez mais escuro. O vacuo onde o som naum se propaga. Neste ponto, a tal cegueira e a visaum naum teriam mais diferença. "Boa noite e naum adianta gritar." A desconstruçaum completa do que havia pra dizer. Seria ate bom pro cobaia tentar a faca agora.
Mas... no quarto dia -- quem sabe? -- sem animo pra procurar, apenas trombar com uma estrela. Olhar pra ela e ver tudo ao meu redor se tornar taum claro, taum puro, que eu sumiria, na minha opacidade. Seria como uma sombra ao meio-dia: escondida demais pra ser notada, mas ainda la. A luz como uma força. crescendo em mim de fora para dentro, diminuindo o que foi oculto para aumentar sua altura. Limpo, forte, so sobraria o que antes eu procurava. Big bang um momento antes, o segundo mudo antes do grito que diria tudo. Por que naum? Por que naum?
Porque, pleno de mim, prestes a dizer tudo o que queria... me faltariam palavras.

quinta-feira, 19 de junho de 2003

Parece que tão apertando minha cabeça com uma turquês. Será que meu amigo Araraponga me levaria para um hospital, se não estivesse me devendo uma? As pessoas não conseguem ser boas por natureza. Não mais. Só um escambo de virtudes, hoje em dia. Bondade por obrigação, tão fraca que até a timidez pode sufocar. E tem outra. Já que estou de mal humor, pau no cu dos que disseram que iam mandar textos pro Oráculo, principalmente os dois que aceitaram os convites e até agora, não responderam meus e-mails.
Esse é um texto que eu retirei da revista "Origem: Wolverine" com a história do meu herói de quadrinhos predileto. Eles mudaram um pouco o poema original, mas ficou igualmente grandioso:

O Tigre
(Willian Blake)

Tigre! Tigre! brilho, brasa
Que a furna noturna abrasa,
Que olho ou mão armaria
tua feroz simetria?

Em que céu foi se forjar
O brilho do teu olhar?
Em que asas veio a chama?
Que mão colheu esta flama?

Que força fez retorcer
Em nervos todo o seu ser?
E o som do teu coração
De aço, que cor, que ação?

Teu cérebro, quem o malha?
Que martelo? Que fornalha
o moldou? Que mão, que garra
seu terror mortal amarra?

Quando as lanças das estrelas
Cortaram os céus, Quem as fez
Sorriu talvez?
Quem fez a ovelha te fez?

Tigre! Tigre! brilho, brasa
Que a furna noturna abrasa,
Que olho ou mão armaria
tua feroz simetria?

quarta-feira, 18 de junho de 2003

Hoje, no ônibus, vi uma menina linda sentar à minha frente. Ao meu lado, um velho comum (cabelo branco, saindo pelo ouvido, nariz, blusa cinza...). Quando ele a viu, mudou completamente. Sem se importar se alguém, como aquele carinha com um livro na mão e uma touca na cabeça, estava olhando, ele começou a olhar com uma gula enorme pela menina. Variando umas três vezes por segundo o lugar do corpo dela pra onde olhava. Sua boca começou a se mover num biquinho, e a parte da pele que fica entre as orelhas e o queixo inflava-se e ficava flácida muito rápido. Juro pra vcs que ele estava parecendo uma barracuda respirando. Quando já não aguentava mais aquele esforço, voltou a olhar pra frente, falar do mengão com o motorista, como se não tivesse acontecido nada.
Será que todo homem fica assim depois de velho? Porque tarados todos nós já somos um pouco. O caminho mais visível é a transformação em barracuda, pelo visto. Deurmelivre.

O blog com as revistinhas históricas para download: RAPADURA AÇUCARADA

sábado, 14 de junho de 2003

Continunado a série de homenagens rs:

O sol não brilhou, os passarinhos não prepararam nada especial para cantarem. Houve alguns assaltos, mas nada anormal. Um dia típico, tirando os muitos casais pelas ruas. Mesmo assim, mesmo com as pessoas andando em duplas, não parecia q o sonho de John Lennon finalmente tivesse se concretizado. Ainda ouviam-se tiros nos morros. As celas ainda tinham sombras pra distraí-las. Era o dia 12 de junho. Eu ia andando, trombando com algumas pessoas, percebendo os devotos mais fervorosos de Santo Antônio, em seus derradeiros momentos de esperança. Como pode a gente se deixar levar por jogadas de marketing? Inventarem um dia pras pessoas dizerem que se amam, só pra venderem seus produtos. Não houve uma invasão de um enxame de cupidos. Não havia nenhum pôr-do-sol bonito pra se ver, aqui nas Vertentes. Nem sequer choveu. O que é que esse dia tem de especial?
Então eu encontro a girlfriend, e percebo tudo. Esses olhos que fazem com q eu largue toda a carga que carrego me dizem o que eu tenho que ouvir. Mesmo que, às vezes, eu não queira. É bom demais tê-la comigo. Queria eu poder resolver todos os seus problemas, só pra ter mais tempo ocioso pra ficarmos juntos. Então, se eu adquiro uma consciência tão grande do quanto sou melhor com ela, porque não aproveitar e fazer o mesmo jogo que os marketeiros? Eu não compro o presente porque me disseram que, no dia dos namorados, a gente dá presente. Eu compro o presente porque quero sempre agradá-la, e aproveito o dia dos namorados como pretexto. Pros meus credores perdoarem o luxo e pra ela não ficar muito convencida.

Te amo, Dan.

quinta-feira, 12 de junho de 2003

Tem um bom tempo que eu tô em "animação suspensa", como o Capitão América ou o Walt Disney(mas essa versão não está confirmada). Uma barreira de gelo me fazendo ver o movimento nas ruas, mas me impedindo os movimentos. Isso faz de mim um perfeito engradado de idéias voláteis. Todas elas são boas promessas, mas, ao abrir a tal caixa, evaporam... Me dá vontade de voltar a crescer. Voltar a pensar, mesmo que isso doa. Aprender a enfiar a cara nas coisas. Bem, no momento, nenhuma mudança nas coordenadas da Enterprise. Mas tem alguém que sempre me surpreendeu, e continua com esse ótimo hábito. Cristiane, que bate um pega com meu amor aqui pra saber quem mais posta. Vc é uma das pessoas que mais admiro, por sua sinceridade e consciência na vida. Que as caminhadas noturnas que vc faz esporadicamente sejam sempre cheias de poesia, beleza e coragem, como a última... um beijo na testa e um cavalo de pelúcia pra senhora.

terça-feira, 10 de junho de 2003

Sitezim muito interessante e bem feito sobre comunicação. Uma aula pro pessoal daqui, que tá indo devagar, apesar de ter o tal do Extra!, que é razoável: UFBA.
Que a força esteja com os senhores...

segunda-feira, 9 de junho de 2003

A verdade é que o Araraponga se machuca todo período... Dentes, tornozelo (conhecido nas peladas como canela), agora a cabeça. Na minha opinião isso é uma praga de algum antigo desafeto de São Lourenço, onde ele pulou muitas janelas e quebrou alguns dentes. O vodu comendo sua alma, fazendo seu corpo apodrecer aos poucos. Pelo menos vamos ter alguém pra colocar "in memorian" no convite de formatura rs. Passamos um rai duma quarta-feira de cão, com a saúde pública de JF nua e crua (além de vagarosa e capenga). O guarda da emergência que impede a entrada de acompanhantes mas não matava os insetos que ficavam na emergência. Seu boné do Grupo Arizona mostra que ele nem queria estar lá. O médico vai jantar umas 3 vezes em duas horas, as enfermeiras chutam muletas. Enfim, apóio inteiramente os gritos de uma das felizes pacientes do corredor de emergência, quando ela dizia: "Aqui só tem filho da puta!" Direto e eloquente. Mas a gente comemora mais uma sobrevivência e recomenda, em caso de doença em JF, a procura de curandeiros ou exorcistas. Médico aqui é tudo filho da puta.
Tirando isso, a semana foi muito boa. A poesia continua escondida por aí, mas o Aero Pub até que é legalzinho...
Durmam bem, que dormindo, sonham. Espero que não seja com amoxicilina ou chifres.

sexta-feira, 6 de junho de 2003

Isso era um comment pro post "Duas horas no PS", mas o blogger naum tá deixando, entaum vai aqui mesmo.
Filhim
São grandes lembranças, aquelas do pronto socorro. Infelizmente vc sobreviveu, o que quer dizer q o OCinC continua com baixa qualidade, mas é bom saber q, até o próximo período, São Pedro está livre de vc. Vou botar um post sobre o assunto, assim traduzo mais ou menos o seu poema.
Não sou muito chegado nessa budega de ficar usando palavras alheias como post, mas tá aí. Grande letra, que não me sai da cabeça, no dia de hoje:

Momento Psico-plágico:

Um Dia Perfeito
(Legião urbana)

Quase morri
Há menos de trinta e duas horas atrás
Hoje a gente fica na varanda
Um dia perfeito com as crianças
São as pequenas coisas que valem mais
É tão bom estamos juntos
E tão simples:
Um dia perfeito
Corre corre corre
Que vai chover
Olha a chuva !
Não vou me deixar embrutecer
Eu acredito nos meus ideais
Podem até maltratar meu coração
Que meu espírito
Ninguém vai conseguir quebrar

terça-feira, 3 de junho de 2003

Aí vai um poeminha. Precisamos trabalhar pra restabelecer o crédito e o público. melhorias, podem não haver, mas pelo menos a gente escreve mais.


Pó(nteiros)

Se houvesse em nós um rastro
Uma luz por onde passei
Que desenho estranho seria
meu trajeto, por onde andei?

O traçado seria o mesmo
todo dia, sem mudar?
Zigue-zague pelas ruas
ou, todo dia, variar?

Nos elevadores mais variedade
Outras dimensões no trabalho final
Dia-a-dia o homem abre caminho
se não vai mais pros lados, vertical.

E, cavando pra todos os lados,
Seu ego comendo o que encontrar
Vai vendo os anos passando
E o trajeto, recomeçar.

A frequência que se desenha
Sobre o fóssil do que se passou
Mostra, de longe, um mero refrão:
"Do pó ao pó, como o pai e o avô."

terça-feira, 27 de maio de 2003

Aí povim... quem quiser entrar para o samba do crioulo doido que virou o Cambeta, coloca o e-mail aqui nos comments e espera o convite e outro mail com as instruções. O lucas guiodai e, principalmente, a paulinha não têm escolha. Ascensão, apogeu e queda? Não. Ascensão, apogeu e abertura para novos sócios!! Seria boa uma adesão de algum uikibiano também. Não percam a oportunidade de suas vidas.

quinta-feira, 22 de maio de 2003

como diria o filósofo:
MÃE, TÔ GOIABA!

quarta-feira, 21 de maio de 2003

Peço perdão pela fuga desse novo caráter do OCinc, cada dia mais cômico e diversificado (e esperem, logo uma poetisa conceituada dará sua contribuição), para uns breves momentos de introspecção:

É engraçado... depois de dois ou três dias rindo como um condenado, as coisas que vêm martelando minha cabeça há alguns meses resolveram terminar a greve. O choque de ter que enxergar tudo aquilo que venho evitando fica coçando aqui dentro. Fazendo eu me lembrar o tempo todo. A única distração é essa merda de cadelinha desmamada que fica uivando à noite toda aqui em casa, rs
Ela naum me deixa acabar o post, então fica o suspense pra outro dia rs
Falows
Não esperem o próximo capítulo.

domingo, 18 de maio de 2003

Alguém tem um mapa aí? To mei perdido...

sábado, 17 de maio de 2003

É, Araraponga, meu discípulo e garoto, somos co-irmãos até na falta de comments. Mas eu acho q tenho uma grande parcela de culpa nisso, porque sempre posto textos porcos como esse de hoje. Dá uma olhada no naipe:

Pois é, negada... se vcs virem a hora da blogada, perceberão que eu vim pro pc escrever numa inspiração beeeem fora de hora. o caso é que eu estava a contribuir com a veracidade daquelas frases do tipo "O rio Paraibuna está imundo!" e "Só tem bosta nesse rai desse córrego!" ou ainda "O Homero caga pra caralho!" Bem, estava eu lá, no meio da noite, passando frio e lendo uma revista, quando comecei a reparar na privada. Muitas pessoas dizem que a maior invenção do homem foi a roda, e alguns mais ousados dizem que foi o elevador. Não sei se concordo com eles, mas com certeza estaria no meu rol das "dez mais" o tronim. Nem tanto por sua utilidade, mas por sua funcionalidade e engenho. Agora vem o mini flashback, como nos Normais (q, ontem, foi sensacional): Imagine-se na época em que não havia nem um tipo de latrina. Sim, aquela época onde as moitas tinham mais valor para o equilíbrio e progresso organizado da sociedade do que têm hoje em dia. As pessoas já cagavam sentadas, porque, fisiologicamente falando, essa posição favorece a expulsão de, digamos, "carga". Então, um homem meio tímido, talvez bigodudo e inteligente resolve fazer um cômodo para "arriar" com maior privacidade. Acontece que um quartinho com um arbusto ficaria meio estranho... Vamos fazer um utensílio pra substituí-lo! Sim! Um assento, por causa da fisiologia. Dessa forma tb fica possível armazenar uma quantidade maior de produtos do que a moita. Uma outra cabeça mágica, talvez avessa à sensação de arrepio ao contato com superfícies frias, acrescenta um outro assento, de material mais confortavel (e menos suscetível ao frio). Bem... tá quase bom. O problema é que a parede é tb fria pra ficar encostado, e o "resultado" fede um pouco, dependendo do cardápio do almoço. Uma solução apenas pros dois problemas: Uma tampa articulada, que, ao ser erguida, serve de encosto! Genial! Sublime e simples. Isso sem nem falar da descarga, que vem mostrar que o princípio do elevador tem mesmo grande valor...
Se vc chegou até o final deste post, por consideração a mim, ou esperança de que algo de bom seria dito, eu agradeço. Comentário tb serve pra reclamar. Mas, eu aposto que, da próxima vez q vc for ao banheiro, verá que eu te atingi, o que é o meu intuito, como escritor. Vais olhar mais admirado praquela que ignoras, destratas, sujas. Ela é tão útil e vc só vai lá pra desmoralizá-la. Nem em seu pior inimigo vc faria o q faz nela. Dê um beijinho nela, vai. Ela merece!

sexta-feira, 16 de maio de 2003

Vocês, viajantes perdidos que procuram a sabedoria neste oráculo, desculpem-nos a poeira. Com o tempo a gente varre essa budega e volta a fazer passes, benzeções, consultas e strip-teases...

já q eu to por aqui, lanço a campanha: se vc naum pode doar um cd do jeff buckley, me dê pelo menos o do los hermanos! É fácil participar! Regulamentos aqui.

segunda-feira, 12 de maio de 2003

Editorial Cambeta (mas não caolho), Edição Extra

Crianças sem Merenda no Nordeste

Crianças, em Porto Seguro, passam fome na escola. Algumas desmaiam, subnutridas. O dinheiro, R$ 50.000.000,00, foi desviado para empresas fantasmas pelo prefeito. Vc acha que o problema do Brasil tá no Beira-Mar? Nos latifúndios? FMI? Pode até ser um pouco disso tudo. A única coisa certa é que os adultos que essas crianças se tornarão, se tiverem a sorte de sobreviver, não terão fibra e moral para rebater isso tudo, por falta de instrução. Serão enganadas facilmente, mesmo que esfreguem a verdade na cara suja e remelenta deles. Mais cinquentinha pros cofres do inferno. E a contabilidade do paraíso batendo pino, com a crise dos argentinos e a pneumonia asiática...

sábado, 10 de maio de 2003

É a humildade que me sobra q faz com que, antes da noite, eu venha aqui pedir desculpas. A qualquer um que eu venha magoar hoje, derculpe...

sexta-feira, 9 de maio de 2003

Esses blog...
olha o post do outro :
"Não obstante o ar retardado, a filha da Luiza Brunet não lhe parece fecundável?"
Como diria o outro, Barbacena purinha!
E a cidade, como todo ano acontece, vai adquirindo a cara da Europa. Frio do capeta, com possibilidade de mudar tudo de uma hora pra outra no final da tarde. Uma neblina q deixa a UFJF muito bonita à noite, lembrando a serrinha de Petrópolis, que faz parte da infância deste Oráculo. As pessoas encapotadas, um cheiro de "guardado" no ar, por causa dos capotes, e uma saudade imensa da minha touca, que minha mãe desintegrou. Os brancos vão ficando roxos, os mulatos, rosa, e os pretos(como eu), cinza. Fico imaginando o q diria um agente daquele censo racial, se me perguntasse qual minha cor. Eu diria: "preto no verão, mulato no outono(e dizem q eu fico bonito assim), e cinza no inverno." Ele diria: "e na primavera, seu filho da puta? É verde ou rosinha?" rs
Hoje fiquei seguindo o sol, pra fugir do tal do frio. Parecia um calango, o menino. Então as coisas ficaram literalmente mornas, até a hora de sair pra faculdade. No caminho de lá até a volta, me diverti pra caralho, brincando muito. De quebra, aprofundei uma amizade, tomei um rum e me prometeram um queijo lá de Valadares. Assim que Aristóteles devia passar seus dias rs. A única coisa ruim é ficar caçando a namorada pelo calçadão, feito um perdigueiro, porque ela decidiu sair correndo do cursinho e não atendia o celular. Me quebrou. Bom... essa (hipotética) falação toda retrata minha empolgação no dia de hoje. Queria eu poder botar um sorriso na cara de cada um de vcs, pra poder zoar suas caras de bobo e rir mais ainda. Boa noite.

terça-feira, 6 de maio de 2003

Pô, naum aguentei e tentei repetir o post que tinha sido executado. Ficou pior, ma sera mais ou menos assim:
Agora o blogger.com ficou doido e fica colocando símbolos japoneses nos posts antigos. Pra quem gosta(como eu) fica até maneirinho, mas... por que isso?? Será algum vírus asiático?

Deixando a merda de lado(e lavando a mão depois): Hoje, terça-feira, faz um ano que entrei na faculdade. Um ano... Tempo pra carai. A gente vai repetir o q faz desde o começo pra se entrosar: botecos! Tomara que seja bom, mas isso vai me fazer correr muito, porque tenho uma pá de exercícios pra fazer e tem alguém que eu preciso ver, muito mesmo. Sabe como dizem: As primeiras 48 hs separados, na mesma cidade, são o início do fim... ;-P

Tenho lido os mesmos blogs de sempre, e o pessoal tem se superado, mas... eu naum consigo me emocionar. Isso até me faz ganhar alguns pontos com meu machista companheiro de devaneios e profecias(vide Araraponga), mas tá me quebrando. Não consigo pensar em nada produtivo. Quando faço um esforço pra isso, me pego pensando em coisas idiotas como... como... Ah! Um exemplo agora me foge. Sumiu aquela fé que eu carregava sem perceber, porque naum tinha o peso da religião. Aquilo que eu gostava de chamar de magia, que me fazia enxergar o que é preciso mais do que olhos pra ver. Burro, meio leso e com a varinha mágica quebrada. É assim que eu vou caminhando. Quem sabe eu não tropeço numa lâmpada mágica ou o Espírito Santo(ou outro qualquer de patente mais baixa) baixa em mim? Enquanto isso: "Que a fonte nunca seque!" tsssssssssssss
Notícia relevante do dia: Paulinho Moska entrou em Estúdio ontem!

Fiquem agora com um provérbio nepomuceno: "Se a mulher solta o rabo, o homem leva o chifre". Falô.
Tinha escrito um puta post, mas o blogger tá doido e engoliu ele, entaum fica aqui a intenção, ao lado de uma vela pela morte do "post desconhecido"

terça-feira, 29 de abril de 2003

O companheiro Araraponga trouxe pelo menos uma leitora assídua (mesmo q ela leia só os posts dele rs). Mas ele só tem alguns dias de blog. É uma boa média.
Hoje tive minha primeira experiência em coser uma bermuda. É a minha nova função na casa, já que trabalho remunerado começa a se tornar algo impossível. O trabalho, que parecia ter sido bom, começa a mudar de classificação, já que eu to sentindo uma corrente, vinda do sul, meio fria.
O povo da EMBRATEL já deve ter usado meu currículo pra testar alguma impressora, e minha foto deve tá no arquivo "os mais bigodudos", e eu vou ter que apelar. Mais um pouco e eu até aceito mexer com informática de novo. Mas, lembrando do meu auxílio à minha mãe hoje e seus gritos de desespero ao perder todos os dados calculados durante o dia, acho que é pior pro mercado rs.
Tirando isso, uma felicidade muito grande. Valeu por perguntar.

domingo, 27 de abril de 2003

É... chegando aos 1250 anos, eu já não sou o mesmo oráculo com vitalidade pra encher a cara de suquinho gummy e gravitar pelo universo usando apenas uma bola de cristal entre as pernas. Não consigo mais prever as coisas com tanta exatidão, meu terceiro olho, que fica na testa, q fique bem entendido, já não se abre com o mesmo ânimo. Até minhas pragas não são mais respeitadas, e isso me deixa um pouco desiludido. Fico então sem forças para escrever, e deixo o bloft cada vez mais às moscas. A solução? Araraponga nele. Que seja bem-vindo o novo reforço do Oráculo Cambeta, com sua alta dose de sarcasmo e poesia, como um beijo de língua num monte de estrume. Bem vindo, e solta o verbo, porque o povo q lê esse treco tá sempre querendo mais.

Festinha na quarta, com djs,´pirofagia, mercadinho, piercing e mais uma pá de coisas. Ingressos comigo.

quarta-feira, 23 de abril de 2003

Texto meu, feito num momento de paranóia delirante, como diria a doidona:

Continho Histórico

E naquela avenida havia um gueto. Não. Nem promovido a isso era, ainda. Era apenas um cortiço. Algumas casas rodeando um pequeno chafariz. Um banheiro coletivo e apenas algumas casas com o direito do apelido de “suítes”. Como em qualquer cortiço.
E, como em qualquer cortiço, os menininhos quebravam vidraças. Aquele senhor, como tantos como ele, tinha uma carrocinha com doces, donde tirava o suficiente “para o bacon e o lustra-carecas”, como ele dizia, sorriso sob os óculos. Uma vez, unindo estes dois fatos, o cortiço teve o seu primeiro enfarto. Mas o velhinho recuperou a saúde e as finanças, e continua com sua carroça, à frente de um colégio.
A luz, às vezes, acabava. A conta era de todos, mas, de vez em quando, um dos moradores sumia por semanas. Um dia, ele voltava. Alguns com brinquedos para as crianças, pagando um churrasco, porque mudou de vida. Na maioria das vezes, porém, a pessoa voltava quieta, cicatrizes melhorando. Nesse dia, as lâmpadas apagadas eram uma benção, e ninguém cobrava a conta dele.
O cortiço ficava sempre aberto, para todos. Era bonito passar por ele e ver, mais altos que os fios, os papagaios e pipas, partindo de dentro da fonte, linha nas mãos dos garotos marrons.
Com o tempo, tudo continuou. É bem verdade que um pedaço da parede da casa do alto caiu. O mesmo tempo encheu de infiltrações o quarto ao lado dos tanques, e a tabela de amarelinha apagou-se no quatro e no inferno.
Os meninos cresceram, e um deles já era pai, casando com uma loirinha da casa ao lado. Outro morreu, baleado, num assalto. O senhor da carrocinha aceitou um dinheiro de alguns homens de terno, e hoje, vende mais do que doces na escola. Deixou seus óculos sobre um murinho, um dia, e não voltou para buscá-los.
Poucas senhoras barrigudas ainda se negavam a desistir daquele “oásis de antiguidade numa cidade moderna.” Acabou que elas engoliram essa conversa e venderam suas casas, dando licença para o progresso passar.
Demoraram quinze meses para construírem tudo, em cima do cortiço de dezessete anos. Mais dois arranha-céus que, até o começo do outro século, eram conhecidos como World Trade Center.

P.S.: Pão com ovo é bom, mas cultura é sacanagem. Sempre bom ter sangue novo no blog, assim as abobrinhas se renovam rs

terça-feira, 22 de abril de 2003

O texto abaixo é de minha inteira gastonomia

Anttonnio Cezzar Araraponga (pão com ovo é cultura)
Páo com ovo

A vida poderia ser mais simples
Simples como um pão com ovo
Um ovo de gema mole,
que ao ser esmagado por dedos vigorosos,
na änsia da fome,
escorresse até o prato e cobrisse,
amarelo como um sol claro de manhã,
toda a superfície

Avidamente,
Outro pão seria solução
Esfrega aqui e ali
Este prazer seria reproduzido
como em uma mitose.
Genética alimentícia
Onde houver pão com ovo
Haverá fartura

A vida poderia ser assim...

sábado, 19 de abril de 2003

Uma enorme vontade de dizer alguma coisa. Alguma coisa q quebre o dia em dois, como um beijo na boca, ou a morte de um amigo. Que vcs se lembrem das coisas q gostariam de ter guardado, mas esqueceram no minuto seguinte. Que tragam mais vinho quando o pessoal disser que tá na hora de parar de beber. Que deus, se existir, não leve os autos a sério, porque é bem feio ver garotos bancando Judas ou João, ou Jesus. Parem de contar essa história, porque ela já caiu na mesmice, e isso não dá mais audiência...
Que os botecos abram na sexta-feira da paixão, porque os pagãos encontram seus deuses quando se libertam do que são todos os dias, e festas só com hereges são sempre as mais interessantes.
Vontade que passa, mesmo sem a missão cumprida. Esse blog precisa dar uma parada mesmo.

sexta-feira, 18 de abril de 2003

Peço perdão pela pequena pausa no blog, mas ele, assim como eu, está passando um momento diferenciado. Em breve voltarei, por enquanto curtam alguns textos desse grande escritor, o doutor Anttonnio Araraponga. Por agora, só tenho a dizer algumas palavras sobre a "ex-guerra".
Bin Laden ataca os EUA. Eles destróem Bagdá em nome de sua defesa. Saddam Hussein é "visto" na Síria, próximo alvo da poderosa Coalização. É pra eu acreditar? É pra alguém acreditar? Foi mal aí, se eu não cumprir minha parte.
Q q a Síria fez? Já condenou o uso de armas proibidas, abaixando as calças pro Bush Jr. Essa expansão tá me lembrando as invasões de Genghis Khan...

terça-feira, 15 de abril de 2003

NÃO

eu não quero me enebriar
do teu vinho
eu não quero ser o "a"
do teu destino
eu não quero ter a senha
do teu banco
eu não quero causar
teu espanto
muito menos quero te ver
em prantos (ainda q sejam lágrimas agridoces)

Ps. me cansei (isto sempe acontece qdo descubro q vou comer panquecas no fim de semana)

Anttonio Cezzar Araraponga (aquele daquele dia)

sábado, 12 de abril de 2003


...COMEÇO

quinta-feira, 10 de abril de 2003

Desde q o mundo é mundo
Receita só serve pra bolo
Regras só serve pros tolos
À direita, à espera, de plantão

Desde q o mundo é mundo
O sexo é o falso pecado
Adjetivo é ser massacrado
Por mãos, por sãos, pulsões

Desde q o mundo é mundo
Sofrer pode ser condição
Viver pode ser confusão
Indecifrável, inigualável, impublicável

Desde q o mundo é mundo
O mundo continua sendo mundo
O mundo continua sendo imundo
Imundo, estranho poço sem fundo


Psw. Essa pode ser uma canção, poesia ou um mero devaneio ( o q para mim é um elogio)
Não sou dono do blog, mas sou amigo do dono....
Anttonnio Cezzar Araraponga ( o prazer é (só) meu)
Corre, corre, corre! Cada tarde que chega é um dia a menos na nossa comédia romântica...

terça-feira, 8 de abril de 2003

Às vezes só é preciso um beijo de boa noite...

segunda-feira, 7 de abril de 2003

Textim do velho Braga, se tiver saco, leia:

Meu ideal seria escrever...

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria -- "mas essa história é mesmo muito engraçada!".

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".

E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.


Só, doutor Rubem, que vc esqueceu de dizer o principal...
Vc gostaria de escrever isso tudo porque assim deixava alguém feliz. Mas, não escrevendo, deixa quem lê triste. Por isso vc é respeitado. Porque sofria, te diziam parabéns. E, querendo sempre tocar, vc sofria para continuar ouvindo palavras, mesmo que cumprimentos sem sentido. Círculo vicioso, cheio de fumaça e com um cheiro forte de coisa podre. Assim é. Assim será.
Eu, ao contrário de vc, queria mostrar uma coisa bem feia pra todo mundo. Queria eu, dentro de um bar muito movimentado, cortar meu peito de fora a fora, com uma faca de manteiga. Que o sangue espirrasse nos rostos contorcidos das pessoas, e um cheiro de ferrugem tomasse os narizes e infectasse as gargantas de todos. Que o meu grito de dor fosse alto, depois do corte, mistura de raiva e plenitude. Você ia ficar puto, ou chocado, ou com medo. Os vômitos que eu provocaria com meu coração pulsando fora do peito te impediriam de sentir pena e, se ainda assim, seu puritano hipócrita e filho da puta... Ah! Se, ainda assim, vc sentisse pena, eu levantaria e te cortaria a garganta, e beberia o seu sangue, junto com uma vodca. Jogaria o resto do copo nos garçons, e eles cuspiriam a revolta de todo dia servir, me ajudando na matança. Eu sairia para a rua, chutando as mesas, derrubando os maços de cigarro e celulares. Um bebum iria me chamar de chapolim ou cois aparecida, e um tiro no olho seria minha resposta. Até descarregar o tambor, o som tomaria conta de tudo, e algum dono de mercearia gordo iria parar de roncar, pelo menos. De manhã cedo, os jornais apareceriam, e eu teria uma platéia muito maior. Uma raiva crescendo até ter o tamanho da opinião pública. Depois de uma semana, tudo voltaria a ser como antes, com prêmios para os participantes mais alegres e competições que envolvessem sopa de minhocas, mas aquele bar seria pra sempre maldito. Por mais que lavassem o chão, aquele vermelho escuro não sairia mais, e as pesoas iriam para a rua, para não usar essa calçada. Nesse dia, ia fazer um calor de matar, pra todos vocês não esquecerem de ligar os ventiladores, e as lâmpadas fluorescentes iriam vender bastante.